Ao sair de casa pela primeira vez aos 23 anos, quando trocou Buenos Aires pelo Rio de Janeiro, Nicolás Laprovittola tinha como objetivo evoluir como jogador e ser humano. Sem ter a certeza do que encontraria pela frente, em um local com idioma e cultura diferentes, o armador pode se orgulhar oito meses depois de ter passado no teste com nota 10. Ao lado da namorada Flor, Nico se instalou e conheceu as qualidades e os defeitos da Cidade Maravilhosa.
No novo clube, assimilou a forma de jogar basquete no país vizinho. A dificuldade inicial de adaptação às diferenças táticas logo se transformou em sucesso. Primeiro, veio o título do esvaziado Estadual e, depois, a consagração com a conquista inédita da Liga das Américas, a “Libertadores” da modalidade. Neste sábado, o argentino pode escrever seu último capítulo desta rápida e vitoriosa trajetória. Ao entrar em quadra diante do Paulistano, às 10h10, na Arena da Barra, Nico pode estar se despedindo da torcida rubro-negra.
Com o contrato se encerrando com o Flamengo neste final de semana, o camisa 7, de 24 anos, está valorizado e tem sondagens. Convocado para a seleção argentina que vai disputar o Sul-Americano e com chance de ir ao Mundial da Espanha, entre agosto e setembro, o jogador é tido ao lado de Jerome Meyinsse, como a renovação mais difícil. Alheio a isso, Nico diz só pensar na decisão de sábado para depois definir seu futuro. Porém, independentemente de qualquer escolha que venha a fazer, ele admite que, mesmo não esquecendo o Boca Juniors, seu clube de coração, a torcida rubro-negra ganhou mais um integrante.
– Ainda não sei o que vai acontecer no futuro, só estou pensando no Flamengo e na final com o Paulistano, que deve ser um jogo muito duro. Mas garanto que estou muito bem no Rio e feliz no Flamengo. A verdade é que o clube ajudou muito na minha carreira e, sem dúvida, hoje, já sou torcedor. Gosto muito do clube e das pessoas daqui. Foi aqui que cresci como pessoa, como jogador e onde me sinto mais maduro. Mudei de cidade, de estilo de vida, sinto saudades da minha família e dos meus amigos, mas tenho a Flor (namorada) morando comigo, meu cachorro (Nash, um buldogue inglês, que morou um tempo e retornou à Argentina) e as visitas de amigos e familiares, que ajudaram muito na minha adaptação longe de casa. Num todo, passei bem, desfrutei morar no Rio – disse o jogador em um tom de incógnita quanto ao seu futuro.
Ao decidir vir para o Brasil, o argentino poderia ter escolhido outros destinos, como Macaé. Mas a opção pelo Flamengo se deu pela certeza, especialmente após algumas conversas com seus compatriotas Gonzalo Garcia e Federico Kamericks, de que o clube poderia lhe dar tudo o que estava buscando na sua carreira.
– Eu procurava chegar na final, acreditava que o Flamengo iria brigar por todos os títulos. Chegar na final com dois títulos nas costas, neste momento, é mais fácil. Já ganhamos um Carioca e uma Liga das Américas, mas temos que seguir trabalhando nesta semana, confiar no que fizemos por toda a temporada e jogar do mesmo jeito que fizemos na final da Liga das Américas. Temos que estar tranquilos – ressaltou.
Assim como foi na Liga das Américas, Nico e o Flamengo terão apenas uma chance de levantar o terceiro troféu do ano e o terceiro do clube nas seis edições do NBB. Em jogo único, às 10h10, na Arena da Barra, cariocas e paulistas se enfrentam no próximo sábado. O GloboEsporte.com acompanha a decisão em Tempo Real, com pré-jogo a partir das 9h. A TV Globo transmite ao vivo.
Fonte: GE

