Confira uma análise tática do novo Flamengo com Jorginho.

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Postado em: 23 de mar de 2013.

Jorginho chegou ao Flamengo no segundo semestre de 1984. Período difícil para o clube. Zico já estava na Udinese, Júnior de saída para o Torino e Leandro, com problemas crônicos nos joelhos, virava zagueiro deixando a lateral-direita para o jovem de vinte anos que vinha do América. Não era um total desconhecido, havia sido campeão mundial de juniores no ano anterior, mas pela lateral-esquerda.

Apesar das boas atuações de um dos melhores laterais da história do clube, só foi levantar taças com a conquista do Estadual de 1986 e depois a Copa União no ano seguinte, já com Zico de volta. Seus dois únicos títulos importantes na Gávea até sair em 1989 para o Bayer Leverkusen.

Quase vinte e quatro anos depois, Jorginho retorna à Gávea como treinador em nova fase complicada de transição. Diretoria cortando custos, elenco limitado, ressaca pela eliminação na semifinal da Taça Guanabara e estreia com derrota para o Resende na Taça Rio.

Na estreia contra o Boavista, o empate sem gols no Engenhão vazio deixa claro para o novo técnico: o Flamengo ainda sofre com um complexo dilema que atormenta o time desde 2012. 

Quando valoriza a posse de bola com os veteranos em campo é lento e previsível. Se acelera o jogo com os mais jovens peca pela afobação. Em qualquer cenário, a profusão de passes errados trava a fluência ofensiva.

Jorginho afirmou em entrevistas que o 4-2-3-1 é o esquema de sua preferência. Mas após muitos testes nos treinamentos, iniciou a partida com o meio-campo em losango. 

A execução, porém, sofreu com a centralização do jogo, os muitos erros técnicos e a profundidade nas ações ofensivas por conta apenas de Rafinha e dos laterais. Sem um ponteiro pelo lado oposto, Hernane saía da área e Cléber Santana, em tese o “enganche”, não preenchia o espaço e se alinhava a Elias e Ibson.

Outro problema era o espaço entre Amaral, volante essencialmente marcador, e os outros três meias. Buraco na recomposição e na articulação. Sem contar as já citadas lentidão e previsibilidade.

 
O Boavista do técnico Lucho Nizzo, no mesmo 4-3-1-2, encaixava a marcação no meio-campo, mas pouco acelerava os contragolpes com Tony e Gilcimar. Resultado: primeiro tempo monótono, sem dinamismo.

 
Jorginho pecou ao perder os “protocolares” 15 minutos da segunda etapa para efetuar as substituições. Com Gabriel e Nixon nas vagas de Ibson e Cléber Santana, um 4-2-3-1 que buscava velocidade, mas a precipitação nos passes e nas tomadas de decisão impedia.

Adryan na vaga de Rafinha foi a última tentativa. O time melhorou timidamente, mas era difícil entender a presença de Amaral em campo. Mesmo com Lucho arriscando ao recuar Tony e lançar o rápido Max Pardalzinho.

 
Pouco ou nada valeram os 62% de posse de bola se de 17 finalizações apenas duas foram na direção da meta, o Fla errou 33 passes e acertou apenas seis cruzamentos…de 38 (Footstats)!

No apito final, a certeza de que o trabalho será árduo. Um desafio maior para o treinador novato do que foi para o lateral inexperiente há mais de duas décadas. Mais uma transição complicada para Jorginho.

Fonte: Olho Tático

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