Postado em: 25 de mar de 2013.
Kayke Moreno chegou ao Flamengo com nove anos e teve no clube a sua rotina por mais de uma década. Um grande prestígio e a expectativa foram criados antes mesmo de ele chegar ao primeiro time. Afinal, na base, ficou conhecido por ter participado de títulos e de levar a marca de ter feito mais de 200 gols. No entanto, com a ida aos profissionais, a história que tendia a um final feliz e de mais bolas na rede, virou uma realidade completamente diferente.
“Sendo o artilheiro, a gente sobe no profissional com certa expectativa. Dentro do clube, era tratado normal. Assim como todos, acabei não tendo muita oportunidade na época. Tinha consciência que tinha que aprender para jogar. A transição dos juniores para o profissional é complicado, ainda mais quando não tem sequência. Optei pela saída, por conta da falta de oportunidade. Se esperar muito, a coisa anda”, contou Kayke em entrevista.
A solução foi tentar a sorte lá fora. E deu certo. Primeiramente, foi uma breve passagem pelo Hacken, da Suécia, sem grande brilho, em 2010. O período, no entanto, serviu para se adaptar à vida fora de seu país natal. Passada esta fase, o sucesso viria logo na sequência, atuando pelo Tromso, da Noruega. Logo no segundo jogo, marcou dois gols. Jogou dez partidas pelo time e foi às redes em cinco oportunidades.
Assim, chamou atenção do Aalborg, que o contratou. Desde então, o atacante não saiu do clube dinamarquês e pôde, enfim, ter estabilidade em um clube. Peça importante no elenco de sua equipe, Kayke se sente preparado para um novo desafio, como um retorno ao Brasil, onde poderia justificar que não é apenas uma eterna promessa.
“Meu objetivo é melhorar sempre, porque tenho consciência que é não é o melhor país. Tive duas sondagens para a Holanda, mas acabou não acontecendo. O meu contrato está prestes a acabar (vai até junho de 2013), estou com o objetivo de mudança. Meu empresário já começou a mexer. É continuar na Europa ou até mesmo voltar para o Brasil”, disse.
Um fator que ajudou Kayke a se desenvolver foi o cenário em que estava. Sem mais carregar a pressão do rótulo de grande promessa, ele pôde focar em seu trabalho. “Alguns me perguntam do Brasil, e eu falo que é diferente. Se eles acham que aqui é pressão, eles não têm noção de como que é no Brasil”, afirmou. “Aqui é bem tranquilo, mais suave, em relação à pressão, tensão, mídia… No Flamengo, é diferente, coisas pequenas se tornam grandes. Até por não falar o dinamarquês, fico um pouco por fora. Você esquece um pouco esse tipo de coisa.”
Aos 24 anos, o jogador não se sente melhor apenas quando a bola está rolando dentro do campo. Com maior experiência de vida, ele se vê mais maduro do que quando viveu a badalação de um dos talentos da nova geração.
“Acho que a melhora foi 100%. Quando é novo, não tem noção do futuro. Depois queaprende, a gente vê que às vezes não é maduro. Todos falam de mim por meu nome ter sido comentado na base, mas não era o momento e não estava preparado para aquilo. Se eu tivesse preparado, receberia as oportunidades. Todos têm seu tempo. Hoje me vejo diferente como jogador e pessoa, aprendi muito”, falou.
“Tive esse amadurecimento de morar sozinho, estou há três anos longe de casa, minha família vem me visitar, mas ninguém mora aqui. Aprendi a controlar o psicológico também. Isso tudo acaba te mudando muito. Hoje falo inglês fluente. Nunca fiz curso, mas, mesmo assim, tenho esse privilégio de falar e saber. Foi importante minha saída. Porém, se tiver minha oportunidade de voltar, me sinto totalmente seguro.”
Tendo se encontrado nos campos e pronto para um novo caminho para a agitada e curta carreira (já são sete clubes no currículo), Kayke só pensa em fechar com chave de ouro o ciclo atual. “O que botei na minha cabeça, vou fazer de tudo para terminar bem e deixar uma boa impressão, que é boa”, comentou o atleta, focado em estender sua redenção no futebol.
Fonte: ESPN

