Gabriel ainda inspira cuidados permanentes, mas hoje traz mais esperança do que preocupação ao Flamengo. A começar por ter dado um toque de qualidade ao meio-campo. Não é mais visto como o jogador excessivamente frágil, que sentia e chegava ao limite após cada treino de exigência física mais intensa. Descoberto tardiamente para o mundo do futebol, sem trabalho de base e muito magro, precisa ganhar força e não pode perder a massa muscular que vem conquistando. Só que, para o técnico Jorginho, a imagem que Gabriel está construindo é outra. A de um jogador corajoso, que quer a bola e não tem medo de marcadores muito maiores.
— Não tenho medo. São 11 contra 11. Se estou em campo é porque tenho a mesma condição de jogar futebol do que qualquer outro. Quando tive minha chance no futebol, eu ainda sonhava, mas já tinha perdido a esperança. A família pressionava para eu fazer um curso profissionalizante. Agora, estou no Flamengo e quero viver cada momento intensamente — diz Gabriel.
Jorginho está encantado com o seu jogador:
— A coragem é a principal característica do Gabriel — afirma o treinador.
O futebol de várzea, em Salvador, foi o palco de Gabriel até os 19 anos. Difícil imaginar que um clube grande ainda faria parte de sua realidade. Até que o presidente do Bahia, Marcelo Guimarães, o viu atuando numa equipe amadora. E até hoje a trajetória peculiar traz consequências. No início do ano, quando chegou ao Flamengo, o então técnico Dorival Júnior e o preparador Celso de Rezende observaram que, além da falta de massa muscular, Gabriel não suportava trabalhos muito intensos.
A comissão técnica de Jorginho garante ter encontrado outro Gabriel. Mas o jogador ainda é submetido a um trabalho especial, assim como Rafinha. Três vezes por semana, mesmo quando há jogos, faz trabalho de força na musculação. Chegou ao Flamengo com 60kg. Hoje, já pesa 65kg.
— O problema dele é justamente não ter lastro, não ter feito trabalho de base. Mas ele melhorou o nível de força, está mais rápido. Ele vinha fazendo um trabalho muito voltado para resistência. Agora, é mais voltado para ganhar força — disse Urtiga.
Gabriel também desperta preocupação quanto ao percentual de gordura. Só que, em seu caso, ao contrário da maioria. Tem pouco mais de 4% de massa gorda, número bem baixo. Ontem, um dia após jogar o Fla-Flu e ainda debilitado pela gripe, fez trabalho para os membros superiores Hoje, véspera do jogo com o Remo, fará novo trabalho de reforço muscular.
Tremeu com a 10 do Galinho
Jorginho abre um sorriso ao falar do meia, de 23 anos. Conforme vai conseguindo sua afirmação no Flamengo, torna-se uma luz no fim do túnel na busca por criatividade e qualidade no setor de criação. E para um atleta que parece tão frágil, a aplicação impressiona. a todos
— Se eu comento que é preciso pegar um adversário, fazer uma marcação, ele fala: “professor, eu pego, eu marco”. Seja qual for o porte físico do adversário. Ele tem essa personalidade forte. E enxerga o jogo. Com o tempo, vai ganhar mais massa. A coragem é a maior qualidade dele — elogia o treinador.
A coragem foi útil para Gabriel vestir, no Fla-Flu, a camisa 10 do Flamengo. E, nesta hora, ele admite que tremeu.
— Quando eu soube na preleção eu pensei: “Rapaz, a 10 do Galinho!” Mas acho que a camisa dele acabou me ajudando — brincou.
Gabriel diz se sentir mais preparado para os choques:
— No início do ano, o problema é que eu tinha feito uma cirurgia (no nariz) e o corpo estava se readaptando ao campo. Estou me sentindo bem com este trabalho. Ajuda na hora da dividida.
Fonte: O Globo
E aí Nação, o que vocês acharam? Comentem! Siga-nos também no
![]()

