A primeira impressão, no Flamengo, não é a que fica. Tanto no conjunto, quanto individualmente, o que vale é o trabalho. Foi pensando nisso que a diretoria determinou que número cada jogador usaria no início do Brasileirão. O prestígio e o investimento em Carlos Eduardo e Marcelo Moreno foi menos importante que o empenho de Gabriel e Hernane na hora de definir os camisas dez e nove.
Ao diretor Paulo Pelaipe coube a distribuição da nova numeração e dele os jogadores ouviram que as camisas mais badaladas ficariam com quem mais merecia pelo desempenho em campo. Procurado, o dirigente não quis comentar as escolhas. A assessoria de imprensa do clube informou que direção ouviu a opinião dos jogadores. Gabriel, que manteve a dez, se mostrou surpreso.
– Não escolhi a numeração, mas caiu… fico feliz. Mesmo sendo jogador de beirada de campo, jogando pelos lados. Não sou o dez centralizado, mas importante é estar dentro de campo jogando – respondeu, sem jeito, concordando que a manutenção da mítica camisa pode ter sido uma premiação pelas boas atuações.
Diferentemente de outros momentos, quando a camisa dez vestia estrelas sem tanto compromisso tático e mais marketing, agora o número não é usado necessariamente pelo principal jogador do Flamengo. Na visão de Gabriel, quem quiser usá-lo não precisa só de técnica.
– Se não cumprir (a função tática), não joga. Futebol hoje pede isso. Me cobro para ajudar a equipe taticamente e tecnicamente – avisou o jovem de 23 anos, garantido no ataque que enfrenta a Ponte Preta, amanhã, em Juiz de Fora.
A dúvida é se o técnico Jorginho levará em conta os bons 45 minutos de Marcelo Moreno para já alçá-lo ao status de titular, na vaga de Hernane. Depois do empate contra o Santos, o treinador manteve o mistério, mas ontem, em jogo-treino, deixou o novo reforço de fora, poupando-o.
Se for titular, o boliviano vestirá a camisa 19, dada pela diretoria, e não o nove, que preferia, e usa inclusive em seu perfil no Twitter, com a abreviação MM9.
A boa impressão deixada por Moreno na estreia, portanto, pode ser suficiente para a troca no ataque, independentemente dos números. Já a do time do Flamengo, precisa apenas de um ajuste.
– É a impressão que tem que ficar, mas com gols. A equipe sabe o que fazer em todos os momentos, não desorganizando, chegando rápido na frente e marcando bem – elogiou Gabriel.
Fonte: Extra Globo

