Para inaugurar a temporada do Campeonato Brasileiro de 2013, o “Redação SporTV” desta sexta-feira foi especial, recordou momentos marcantes de toda a história do campeonato. Entre sugestões, indicações, pitacos, pesquisas e a memória dos profissionais do SporTV, foram escolhidos oito temas para serem lembrados os dez momentos mais inesquecíveis de cada um.
São muitos. Seria díficil fazer uma lista sem esquecer de algum deles. Mas, para representar o time de goleiros, os lembrados foram: os argetinos Cejas e Eduardo Andrada, Haílton Correa de Arruda (Manga), Emerson Leão, Waldir Peres, Dida, Rogério Ceni, Rodolfo Rodrigues, Taffarel e Renato Gaúcho. Veja ao lado a importância de cada um.
O técnico que mais levantou o caneco nacional foi Vanderlei Luxemburgo, comcinco títulos (Palmeiras 1993, 1994, Corinthians 1998, Cruzeiro 2003, Santos 2004); Muricy Ramalho vem em seguida, com quatro títulos (São Paulo 2006, 2007 e 2008 e Fluminense 2010; com três, Rubens Minelli (Internacional 1975, 1976 e São Paulo 1977 – Robertão 69: Palmeiras) e Ênio Andrade (Internacional 1979, Grêmio 1981 e Coritiba 1985); com doistítulos, Telê Santana (Atlético-MG 1971 e São Paulo 1991), Osvaldo Brandão (Palmeiras 1972 e 1973 – Taça Brasil 1960: Palmeiras), Antônio Lopes (Vasco da Gama 1997 e Corinthians 2005) e Carlinhos (Flamengo 1987 e 1992). Muitos técnicos fizeram história conquistanto apenas um título, mas Carlos Alberto Parreira, com o Fluminense em 1984, e Luiz Felipe Scolari, com o Grêmio em 1996, foram os escolhidos para representar esse time de campeões.
Ademir da Guia (Palmeiras 1972 e 1973)
Ser o craque de uma academia com Luís Pereira, Leivinha, Dudu, Edu e companhia não é para qualquer um. Ademir da Guia não ganhou o apelido de Divino por acaso. Foi o mestre dos campeonatos de 72 e 73.
O homem marcou nada menos que 28 gols em 18 partidas em 1977, ou 1,55 por jogo. Não jogou a final, estava suspenso, nem foi campeão. Mas ninguém duvida: aquele campeonato foi do Rei atleticano.
Falcão Internacional (1979)
Paulo Roberto Falcão foi craque em quase tudo o que disputou. Mas foi sobrenatural em pelo menos um deles: 1979, ano do tri colorado, quando também foi, de forma unânime, o grande nome do campeonato.
Careca (1978 e 1986)
Poucos foram tão decisivos quanto Careca, nas conquistas de 1978 do Guarani e 1986 do São Paulo. Como se não bastasse a bola que jogava, ainda marcou gols decisivos nas duas finais.
Difícil escolher apenas um campeonato em que Zico tenha desequilibrado… A gente fica com 1980, o primeiro do Flamengo, quando Zico brigava com Maradona e Platini pelo posto de mais genial camisa 10 do planeta.
O Corinthians de 1990 é um dos campeões mais fracos da história do Brasileiro. Mas tinha um gordinho infernal, dono de um chute preciso, e que naquele ano comeu a bola sozinho.
A imagem do craque, então com 38 anos, cabelos brancos, é cena emblemática do campeonato. No meio-campo, Junior foi o maestro e craque-torcedor do penta rubro-negro
Os adversários tiveram de engolir as provocações… Porque Túlio falava muito, mas cumpria. Fora o gol decisivo na partida final. E mais 21 no campeonato, do qual foi o artilheiro
Para muita gente, foi o melhor jogador não só do Brasileiro, mas também do mundo naquele ano. O Vasco era um belo time. Mas Edmundo extrapolou… Chegou a marcar seis gols em um jogo e, na partida que garantiu a vaga na final, marcou três contra Flamengo, em cenas inesquecíveis para os vascaínos
Sem ter um time espetacular no papel, o Cruzeiro jogou um grande futebol. Marcou mais de 100 gols naquele ano. E muito disso se deve à genialidade de Alex
Muitos foram os jogos e os fatos que marcaram a história da competição, não teria como eleger vários. Para simbolizar a importância de todos, o programa selecionou os abaixo.
A frase escrita pelo tricolor Nelson Rodrigues no O Globo, em 6 de dezembro de 1976, mostra o que acontecia no Rio de Janeiro: “Me senti como um estrangeiro em terra carioca.” Na mesma data, era publicada pelo Ziraldo essa charge Jornal do Brasil (mostrar charge). Os corintianos dividiram o Maracanã com os tricolores e viram uma equipe esforçada, com a ajuda da chuva e da Fiel, eliminar a temida Máquina Tricolor.
O Guarani de Zenon, Bozó, Renato Pé Mucho, Neneca e Careca era uma jovem equipe de um time pequeno, comandado por um técnico ainda desconhecido: Carlos Alberto Silva. Mas aquela molecada boa de bola foi derrubando vários gigantes e se tornou o único time de interior a levantar a taça até hoje. Provavelmente, nunca mais veremos um campeão caipira. O Bugre hoje joga a Série C do Brasileiro.
O campeonato de 79 foi bagunçado. Boicote de paulistas como Santos, São Paulo e Corinthians e inacreditáveis 94 participantes. O que ninguém questiona é o campeão. Era o terceiro título do Inter de Falcão, o melhor time do país na década, num intervalo de quatro anos – com algumas mudanças na escalação, é verdade. Segundo, porque a grande equipe colorada, com o então menino Mauro Galvão na zaga, saiu daquele torneio sem perder um jogo sequer: o único campeão invicto da história.
O que dizer de uma decisão com Raul, Zico, Junior e Carpegiani de um lado; Eder, Palhinha, Reinaldo, Cerezo e Luizinho de outro? Num Maracanã abarrotado, com mais de 154 mil pessoas? Só poderia resultar num jogo inesquecível, com placar de 3 a 2,decidido pelo artilheiro Nunes aos 38 do segundo tempo. A final mais espetacular de todos os tempos do Brasileirão.
Foi o ano em que a Taça de Prata, que equivalia à segunda divisão, e a Taça de Ouro foram fundidas em um único campeonato. 44 times brigaram pela taça e chegaram à final Bangu e Coritiba, jogo único, na casa de quem tinha melhor campanha. O Maracanã lotou, com rara união de torcedores cariocas, e viu o Coxa vencer nos pênaltis após empate de 1 a 1. É considerada a mais alternativa e simpática de todas as finais. Seus ingressos viraram raridade em sites de leilões virtuais.
Não é qualquer jogador que merece uma música de Caetano Veloso, torcedor discreto do Bahia. Mas Bobô – e todo aquele time de Evaristo de Macedo – fizeram por merecer. O Brasil assistia aos domingos a uma Fonte Nova colorida e abarrotada para ver a elegância de Bobô naquele time que é, até hoje, o único campeão nordestino na série A do Brasileiro sem asterisco ou contestação.
É a maior virada em uma semifinal de Brasileiro. O Flu de Renato Gaúcho aplicou 4 a 1 no jogo de ida. Na volta, Giovanni encarnou o Pelé e comandou o Santos para um extraordinário 5 a 2. Fora a atuação do camisa 10, uma das maiores em um jogo de Brasileiro, o time santista preferiu ficar no gramado durante o intervalo, quando estava 2 a 0, sem descer para o vestiário, com a torcida cantando. Cena única e de arrepiar.
Este lance é símbolo de uma geração – e de um formato que ficou no passado. Não fosse o mata-mata, aquela equipe de Diego e Robinho não teria feito a história do Brasileirão de 2002. O Peixe foi o oitavo na fase de classificação – e só entrou nos playoffs graças a uma improvável combinação de resultados. Na hora do vamos ver, aniquilou todo mundo, incluindo o maior rival na decisão, com direito a essa molecagem inesquecível do Robinho.
Para muita gente, estava nascendo uma dinastia no futebol brasileiro. O São Paulo de Muricy, Rogério e três zagueiros na escalação levantou as taças de 2006, 2007 e 2008. Parou por aí, é verdade, mas a sequencia, inédita, é difícil de ser igualada.
Valeu por um título. Até porque este time que desafiou a matemática – e todas as previsões dos comentaristas – foi praticamente o mesmo que, no ano seguinte, conquistou o título de fato. A história começou nas últimas sete rodadas de 2009. O lanterna ressuscitou com seis vitórias seguidas e um empate. Nascia o time de guerreiros.
Palmeiras e Santos com oito títulos, São Paulo e Flamengo com seis, Corinthians com cinco, Fluminense e Vasco com quatro, Internacional com três, Bahia, Botafogo, Cruzeiro e Grêmio com dois e Atlético-MG, Guarani, Coritiba, Sport e Atlético-PR com um título cada um.
Os maiores campeões brasileiros considerando os títulos a partir de 1971
São Paulo e Flamengo assumem o topo com seis títulos, o Corinthians tem cinco, Palmeiras e Vasco com quatro, Fluminense e Internacional com três, Santos e Grêmio possuem dois, Atlético-MG, Guarani, Coritiba, Sport, Bahia, Botafogo, Atlético-PR, Cruzeiro tem um cada.

