Ah, o maravilhoso futebol. Que esporte saudável e educativo. Sua lógica toda particular permite que, sem qualquer aviso prévio, os mortos saiam das suas tumbas para protagonizar reviravoltas narrativas que não encontram paralelo nem mesmo na mais rebuscada dramaturgia. São exclusivas do quadrilátero relvado. É uma alquimia onde a bola na rede é a pedra filosofal. Basta uma vitória e todo o chumbo se transforma em ouro.
Jaime de Almeida, do alto da inexpugnável estabilidade funcional que só os funcionários de carreira do Clube de Regatas do Flamengo possuem, estreou como treinador no Campeonato Brasileiro no melhor estilo palhaçadinha zero. Numa escalação ousada, com apenas um volante de raiz, um meia e 4 atacantes Jaime deixou os caras jogarem pra frente e cansar o Criciúma. E um detalhe que não pude deixar de notar, dos onze jogadores que iniciaram a peleja 7 tinham sido trazidos pelo contestado Paulo Pelaipe.
Uma coincidência que não parece ter preocupado ao nosso treinador. Sem frescura e com a mesma sobriedade que aparentava nas fotos do tempo em que comandava a quarta zaga do Mengão, Jaime de Almeida, de nobre linhagem rubro-negra, fez com que renascesse o Flamengão Master Derrubador de Bolão do Futebol Mundial. Acabou o sufoco, o Mengão voltou a vencer.
Verdade que os catarinas tiveram um mané expulso logo no começo do jogo, mas isso não tira os méritos da nossa equipe em absoluto. Até porque em quase todos os times do mundo, e o Criciúma não é exceção, jogar com 10 significa ter um a menos pra errar. Ou seja, a expulsão do cara tornou ainda mais difícil o desafio pro Flamengo. Não foi uma exibição de gala, mas foi o melhor Flamengo que a torcida pode ver em campo há muito tempo. Com direito ao brinde de um esculachativo gol olímpico mei sem querer do jovem Gabriel.
Gol olímpico, que como toda gema preciosa, é cercada de lendas. Não demorou muito para que a torcida, narcotizada pelos voláteis espíritos da vitória, percebesse a inequívoca conspiração internacional que está em curso. Sim, amigos, o plano já está em plena execução. Sejamos serenos e nada de otimismos exagerados, mas percebam a sincronicidade dos fatos que agora relato.
Na última vez em que estivemos na pestilenta zona de rebaixamento, fomos campeões da NBB, trocamos de fornecedor de material esportivo, tínhamos um técnico interino, vencemos em um estádio onde não vencíamos há muito tempo e fizemos gol olímpico, terminamos como campeões brasileiros.
Mas não diga nada ainda. Se essas banais constatações dos sinais do universo em conspiração causaram impacto, preparem-se para ficar verdadeiramente chocados com as revelações no vídeo da Nivinha. Rubro-negros não tem superstições, nós cultivamos tradições. Mas eu tô passando mal até agora.
Fonte: urublog
