No futebol, é lugar-comum que jogadores de defesa fiquem mais marcados por erros individuais do que aqueles que atuam no setor ofensivo. Mas Deivid é a prova viva de que lances isolados também podem prejudicar a imagem de atacantes: após perder um gol incrível no Campeonato Carioca de 2012 contra o Vasco, o jogador viu sua popularidade despencar, e acabou deixando o clube sem muita moral com a torcida.
Dono de uma carreira recheada de passagens bem-sucedidas por clubes grandes, Deivid lembra que marcou 31 gols em sua passagem pelo Rubro-Negro, apesar de a torcida quase sempre associá-lo apenas ao infame lance contra o Vasco. Mas o experiente jogador prefere não reclamar da sorte e, mesmo citando o momento conturbado que o Fla vivia durante a sua passagem, admite que não foi bem nos dois anos que ficou a Gávea.
“Eu cheguei em um momento de turbulência, com a prisão do Bruno, o Adriano foi embora, tinham salários atrasados… São fatores que acabam atrapalhando. Mas eu não gosto de colocar desculpa quando eu não vou bem, sempre assumo a responsabilidade. Eu fiquei marcado por um gol que a gente sempre está exposto a fazer e perder. Em qualquer trabalho que você exerce você erra, mas o nosso é diferente porque há milhões vendo. A gente fica marcado pelo gol que perdeu e esquecem os 31 que eu fiz pelo clube. Mas isso faz parte da cultura, da nossa carreira. Isso não vai apagar a minha carreira, o meu estilo. Eu não peguei seleção, mas tem gente que ganhou Copa do Mundo e nunca ganhou Brasileiro, e eu tenho dois. Então a história ninguém apaga. Esse gol não vai manchar a minha carreira”, afirmou.
“Foi uma passaghem de altos e baixos. Eu mesmo analisando acho uma passagem ruim, em relação ao que eu estava planejando. Eu tive 10 propostas de clubes grandes do Brasil e fui para o Flamengo pela amizade que eu tinha com o Zico. Às vezes as escolhas não são corretas, mas eu aprendi muito como homem, como pai, como alteta. Então para mim isso fui muito bom”, completou.
Retorno ao eixo Rio-SP está nos planos
Hoje, Deivid está afastado dos grandes centros pelos quais se destacou no início da carreira. Mesmo satisfeito no Coritiba e confiante com o bom momento da equipe, o jogador de 33 anos diz que planeja voltar ao eixo Rio-São Paulo em algum momento da sua carreira.
“Eu penso em ser campeão brasileiro no momento. Última vez que eu fui campeão foi em 2004. Penso que a gente tem qualidade para ser campeão. Enquanto eu estiver jogando, enquanto estiver dentro de mim ser um cara produtivo, eu sempre vou imaginar voltar para o eixo Rio-SP, jogar em grandes clubes. Não que o Coritiba não seja um grande clube, é um grande clube, muito organizado, mas eu aspiro sim coisas maiores”, encerrou.
Aproveitando o fim do período de treinos durante a Copa das Confederações, o Coritiba volta a campo no dia 6 de julho, contra o próprio Flamengo, pela 6ª rodada do Campeonato Brasileiro. O clube paranaense é o líder da competição, com 11 pontos conquistados. O Rubro-Negro é o 14º, com 5.
Fonte: ESPN

