Uma semana depois de completar 35 anos, Renato recebeu a notícia de que fora demitido do Flamengo em sua segunda passagem pelo clube. De volta ao Rio de Janeiro após oito dias de férias, o meia soube por meio de seu empresário, Cláudio Guadagno, que a diretoria rubro-negra o comunicara sobre a rescisão do contrato que iria até o fim do ano. O volante aguarda ainda justificativas para tal decisão e não se reapresenta nesta terça com o restante do elenco. Mas dentro do clube, tão logo houve a pausa do Campeonato Brasileiro, foi consenso de que Renato dificilmente voltaria a vestir a camisa 11 do Flamengo após três atos classificados como infrações.
A avaliação interna é de que a postura de Renato nos jogos diante de Ponte Preta, Atlético-PR e Náutico contrariou normas estabelecidas desde o início da temporada e serviu para conturbar a passagem do técnico Jorginho. No primeiro jogo, logo após perder um pênalti quando o Flamengo perdia de 1 a 0, o camisa 11 passou a ser perseguido pela torcida de Juiz de Fora com insistentes vaias. Claramente contrariado, ele chegou a reter a bola no meio de campo e irritou ainda mais a arquibancada. Ciente do clima pesado, o técnico Jorginho o substituiu por Carlos Eduardo. Na saída de campo, ele aplaudiu a torcida que o vaiava, levantou o dedo indicador da mão direita e repetiu seguidamente:
“Um pênalti! Um pênalti!”
Após o jogo, Renato foi reeprendido por Jorginho pela atitude. Na partida seguinte, contra o Atlético-PR, em Joinville, acabou barrado. Em campo, a má fase continuou e o Furacão abriu 2 a 0 no placar. Renato, então, foi chamado para entrar em campo, no lugar de Carlos Eduardo. O time reagiu e, com um gol do volante, empatou a partida que parecia perdida. Parecia, também, a redenção de Renato. Mas não foi. Ao comemorar o gol de empate, Renato tirou a camisa e a pendurou na bandeirinha de escanteio.
A atitude irritou bastante a diretoria rubro-negra, já que contrariava as diretrizes estipuladas no início do ano em reunião do vice-presidente de marketing, Luiz Eduardo Baptista, com o elenco. Consta nos novos contratos com os patrocinadores a possibilidade de multa em caso de não exposição da marca em momentos importantes, como na comemoração de um gol. Renato, então, foi advertido. E ficou na corda bamba. Na partida seguinte, o estopim.
De novo titular, o camisa 11 participou do jogo contra o Náutico. De novo, o time naufragou na partida disputada em Florianópolis. Sob vaias, aos 40 minutos do segundo tempo, Renato levou o segundo cartão amarelo após tentar cortar um cruzamento com a mão. Acabou expulso. Depois, o volante teria confessado a amigos que achava a sua situação difícil diante da sequência. A demissão, no entanto, foi recebida com surpresa e tristeza.
Identificado com o clube, Renato chegou à Gávea em 2005. À época posicionado como meia em campo, o jogador se tornou um dos líderes do time e foi fundamental nas conquistas da Copa do Brasil de 2006 e nos Campeonatos Cariocas em 2006 e 2007. No ano seguinte, ele deixou o clube rumo aos Emirados Árabes, de onde retornou em 2010. Foi também campeão carioca em 2011. Caracterizado pelos gols de falta, ainda é o artilheiro deste século do time, com 73 gols assinalados.
A saída de Renato antecipou o início dos planos da diretoria de renovar o elenco. No início deste ano, o volante aceitou redução salarial para estender o vínculo por uma temporada. A diretoria aproveitou, também, para anunciar a saída do jogador antes que Mano Menezes tivesse o primeiro contato com o elenco. Desta forma, o treinador foi poupado de um primeiro desgaste à frente do time. Mano, aliás, convocou o jogador para a seleção brasileira em 2011, para o Superclássico das Américas, contra a Argentina.
Chateado pela decisão unilateral por meio de uma nota no site oficial, o jogador aguarda a assinatura da rescisão de contrato para dar sua versão sobre a saída. A diretoria e o empresário Cláudio Guadagno devem se encontrar nos próximos dias. Por lei, o Flamengo deve pagar os salários de Renato até o fim do contrato, em dezembro.
Fonte: ESPN

