A interdição do Engenhão por conta de problemas estruturais e a indisponibilidade do Maracanã, que depende agora de acordo com a empresa privada que o administra para ser usado, provocou uma situação insólita com o time mais popular do Rio de Janeiro. O Flamengo completará três meses sem fazer um jogo sequer na cidade como mandante.
A última vez que o Flamengo entrou em campo no Rio foi em 6 de abril, no empate em 1 a 1 com o Duque de Caxias, em Moça Bonita, estádio do Bangu, pela Taça Rio. Desde então, como “dono da casa”, o clube carioca mandou jogos para Volta Redonda, a cerca de duas horas da capital fluminense, Florianópolis (SC), Juiz de Fora e Uberlândia, as duas últimas em Minas Gerais.
Os 90 dias longe da cidade em que nasceu se completam exatamente neste sábado, quando os rubro-negros enfrentarão o Coritiba, no Mané Garrincha, em Brasília, pelo Campeonato Brasileiro, que retoma as atividades após a pausa para a Copa das Confederações.
A capital federal, inclusive, deve ser o refúgio flamenguista na competição, pelo menos no primeiro turno. O motivo: público e renda mais robustos. Tanto que o jogo diante do Coritiba, de acordo com parcial divulgada na quinta-feira, já teve mais de 41 mil ingressos vendidos , sendo que o mais barato custa R$ 80. O clássico contra o Botafogo, dia 28 de julho, que poderia marcar o reencontro com o Maracanã, também caminha para ser realizado em Brasília.
Sem o Maracanã, onde o torcedor comemorou suas principais conquistas e que ficou quase três anos passando por reformas, e apoiado em campanhas pouco empolgantes, o Flamengo tem convivido com estádios mais vazios. Somadas as quatro divisões do Campeonato Brasileiro, o time com a maior torcida do Brasil, segundo pesquisas, obteve apenas a 15ª maior média de público do país em 2012, com 12.250 espectadores – o Corinthians, líder no quesito, levou mais do que o dobro (25.222), seguido por Santa Cruz (24.347) e São Paulo (24.298). Comparadas apenas as equipes da Série A, os rubros-negros ficaram em décimo na lotação de estádios.
O maior público do Flamengo no Brasileirão de 2012 foi de 34.118 pessoas, na vitória por 2 a 1 sobre o Atlético-MG, no Engenhão. O número é um pouco inferior ao empate sem gols com o Santos, em 5 de setembro de 2010, que marcou a última partida recebida pelo Maracanã antes da reforma para a Copa das Confederações (34.897 pagantes).
No Campeonato Carioca deste ano, marcado por estádios às moscas na maioria das partidas, o itinerante Flamengo obteve média por jogo de 6.133 pagantes, a terceira melhor do campeonato, atrás de Botafogo (6.975) e Vasco (6.289).
O iG Esporte questionou a diretoria do Flamengo, por meio da assessoria de imprensa do clube, sobre a opção por jogar longe do Rio de Janeiro, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. Os executivos contactados diretamente não atenderam as ligações.
Outros grandes do Rio
O Botafogo também está perto de completar três meses sem jogar na cidade do Rio de Janeiro. Por conta dos problemas no Engenhão, estádio que administra, o clube recorreu também ao Moça Bonita, em 14 de abril, para vencer o Nova Iguaçu por 4 a 1 e, desde então, tem adotado o Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, como casa. Mesmo jogando no estado, os alvinegros não têm chamado tanta atenção dos torcedores. Na vitória sobre o Figueirense por 1 a 0, na quarta-feira, pela Copa do Brasil, apenas 754 espectadores pagaram ingresso.
Já o Fluminense chegou a usar São Januário, estádio do Vasco, em jogos como mandante – o último foi em 22 de maio, no empate sem gols com o Olimpia, pela Copa Libertadores. Os rivais, inclusive, farão a primeira partida entre clubes do novo Maracanã, dia 21 de julho, pelo Campeonato Brasileiro.
O Vasco ficou longe de seus domínios apenas em junho, quando São Januário estava cedido à Fifa para ser usado como local de treinamento durante a Copa das Confederações.
Fonte: IG

