Brasil caminha forte rumo a hegemonia da Libertadores.

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O Atlético-MG foi derrotado pelo Olímpia (PAR) no jogo de ida da final da Libertadores, mas o revés do Galo no Defensores del Chaco não esconde o recente domínio do Brasil na competição. Se ainda não é o maior campeão – a Argentina soma 22 títulos –, o futebol brasileiro, com as suas 16 conquistas, vem provando, ano após ano, que pode deixar os hermanos para trás no futuro.

Desde 1992, quando o São Paulo conquistou a primeira das suas três Libertadores, o Brasil já ganhou 11 vezes a competição, com oito times diferentes. No mesmo período, os clubes da Argentina conquistaram apenas sete. Até 1991, foram 15 taças dos hermanos, contra cinco das equipes brasileiras.

Já quando o assunto é a participação de clubes brasileiros em finais, o domínio cresce. De 1992 para cá, apenas em três edições (1996, 2001 e 2004) o país não foi representado em uma decisão. A Conmebol teve até que mudar o regulamento para evitar que dois times de um mesmo país decidissem a competição, o que aconteceu com o Brasil nos anos de 2005 e 2006 – finais entre São Paulo e Atlético-PR e Internacional e São Paulo, respectivamente.

E esse crescimento vem acompanhado do poder de compra  dos clubes daqui, que se aproveitam do crescimento econômico do país e da valorização da moeda frente às dos países vizinhos para, com altos salários, atrair jogadores sul-americanos: atualmente são 43 nos 20 clubes da Série A. Segundo estudo da Pluri Consultoria, empresa de consultoria esportiva, os seis clubes brasileiros que participaram desta edição da Libertadores estão entre os dez de elenco com maior valor de mercado da competição.

– A conquista do Flamengo em 1981 teve um retorno muito grande. Os clubes passaram a tratar a Libertadores de maneira diferente. Antes, uma série de situações prejudicavam, como a violência. Esse domínio tende a ser maior – disse Júnior, lateral daquele Flamengo.

Que o Atlético mantenha o Brasil em alta na Libertadores.

Júnior, Hegemonia do Brasil é questão de tempo

Os clubes passaram a se preparar, passaram a valorizar a Libertadores. Muito graças aos títulos do Flamengo (1981) e do Grêmio (1983). A hegemonia do Brasil na Libertadores é questão de tempo, mesmo com um possível aumento no número de clubes, o que pode fazer com que um time desconhecido belisque o título. A Conmebol até modificou o regulamento, mostrando preocupação.

OS NÚMEROS

16 O Brasil soma 16 títulos de Libertadores contra 22 da Argentina e oito do Uruguai. Hegemonia à vista?

11 Das 16 conquistas do futebol brasileiro, 11 vieram a partir de 1992 e com oito clubes diferentes. Já a Argentina teve 15 títulos até 1991 e, desde então, venceu apenas sete vezes, sendo três conquistas de apenas um clube: o Boca Juniors.

3 Apenas três das últimas 22 finais da Libertadores (a partir de 1992, com o São Paulo campeão) não teve a presença de um time brasileiro: 1996, 2001 e 2004.

2 A Libertadores teve final 100% brasileira duas vezes: em 2005, com São Paulo x Atlético-PR, e em 2006, com Internacional x São Paulo. Na sequência, a Conmebol mudou o regulamento, e agora dois times do mesmo país não podem se enfrentar na decisão – os cruzamentos são antecipados.

Especialista em gestão esportiva, economia forte reflete nas finanças dos clubes

Brasil tem um grande poderio econômico em relação aos outros países da América Latina. Se aproxima de ser a sexta maior economia do mundo e, na última década, teve um crescimento econômico muito grande, o que o descolou dos outros países do nosso continente. Então, isso acaba refletindo também no poderio econômico dos clubes e, consequentemente, numa maior possibilidade de manter os principais atletas jogando no país.

Além disso, conseguimos atrair jogadores desses países vizinhos para jogarem nos nossos clubes, o que enfraquece os times deles ao mesmo tempo que fortalece os brasileiros. Isso sempre aconteceu no Brasil, e vice-versa, mas agora existe um maior fluxo de jogadores desses países vindo para cá do que o contrário.

Nos próximos anos, cabe aos outros países se estruturarem, e vai depender muito da capacidade de crescimento deles. O México, por exemplo, é um país que voltou a crescer fortemente e ter investimento estrangeiro, então pode ser que rivalize mais fortemente com o Brasil.

Argentina e do Uruguai, que são os países mais tradicionais, junto com o Brasil, têm que absorver esse crescimento econômico e se organizarem internamente também, pois têm um futebol muito pouco organizado. Mesmo que no Brasil a gente esteja ainda distante dos padrões europeus, temos um futebol mais avançado que nossos vizinhos.

Fonte: Lancenet


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