Segundo o edital, se o consórcio não assinar um contrato de compromisso com pelo menos dois times que façam seus jogos no Maracanã, o grupo perde a licitação, e o segundo colocado assume. Ou se uma nova concorrência é aberta. Os dois clubes que mostraram interesse foram Flamengo e Fluminense, já que o Vasco tem São Januário, e o Botafogo, o Engenhão. Porém, a negociação com o rubro-negro está complicada. Na semana passada, em entrevista ao GLOBO, o vice-presidente de finanças do clube, Rodrigo Tostes, disse que o acordo estava muito longe. O clube quer receber entre R$60 e R$70 milhões por ano. Mas o consórcio oferece pouco mais que a metade desse valor. A negociação com o Fluminense está mais adiantada.
O grupo tem mais 60 dias (90 desde a homologação contrato, que aconteceu no dia 5 de junho) para apresentar as assinaturas. O acordo já assinado com o Botafogo, que vai jogar como mandante no Maracanã até o Engenhão ser reaberto, não conta para cumprir o edital, pois o período acordado com o alvinegro é de apenas de dois anos. E o edital exige que o contrato com os dois clubes seja por 35 anos.
O acordo firmado pelo Botafogo se deve ao fato de o clube não poder usar o Engenhão até novembro de 2014. É o prazo dado pela prefeitura e pelo Consórcio Engenhão para entregar as obras de reforço estrutural da cobertura. Ontem, representantes das partes envolvidas anunciaram como será a reforma e estabeleceram as datas. Mesmo com o projeto ainda em andamento, os operários começaram a montagem do canteiro de obras.
Todo o custo da reforma será arcado pelo Consórcio Engenhão (formado por Odebrecht e OAS), que não divulgou os valores das obras. Apesar de não ter sido o responsável pelo projeto executivo, considerado causa do problema, o consórcio decidiu bancar o reforço da cobertura em acordo com a prefeitura.
A decisão vai contra o primeiro discurso do prefeito Eduardo Paes. Quando o Engenhão foi interditado, em março, ele afirmou existir uma cláusula, assinada na gestão anterior, que tirava a responsabilidade do segundo consórcio construtor de arcar com erros de projeto. Dessa forma, caberia à prefeitura arcar com os custos.
Tanto a prefeitura quanto o Consórcio Engenhão prometem buscar indenização junto aos responsáveis. Segundo eles, os erros foram causados pelo projeto elaborado pela empresa Alpha a pedido do primeiro consórcio, formado por Delta, Recoma e Racional. Até a volta do Maracanã ou do Engenhão, restam, na cidade do Rio, São Januário e Moça Bonita.
Fonte: O Globo

