Se não quiser ver o Corinthians campeão de bilheteria pelo quarto ano consecutivo no Campeonato Brasileiro, o Flamengo terá de tirar urgentemente o Estádio Raulino de Oliveira do catálogo de destinos dos jogos como mandante, e se agarrar cada vez mais ao Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha e ao Maracanã. Ao desistir de receber o ASA-AL na capital do país, na última quarta-feira, pela terceira fase da Copa do Brasil, o rubro-negro contabilizou, em Volta Redonda (RJ), o terceiro pior público do time na temporada em exibições oficiais (2.284 pagantes) e amargou a sexta renda mais baixa (R$ 61.386).
Na única exibição como mandante no Estádio Nacional de Brasília, o Flamengo atraiu 52.825 torcedores ao empate por 2 x 2 com o Coritiba e faturou R$ 1.163.981,59 líquido.
“O resultado financeiro da partida em Volta Redonda foi um prejuízo, sim, mas nós ainda não temos noção de qual seria o público aí em Brasília num meio de semana, em uma quarta-feira, às 21h50. Certamente seria melhor do que no Raulino de Oliveira. Talvez, de 10 a 20 mil pagantes”, mas isso é um chute, projeta o vice de Marketing do Flamengo, Fred Luz, em entrevista ao Correio.
Os motivos para não receber o ASA no Mané Garrincha foram pelo menos três. O GDF não quer saturar a cidade de partidas do Flamengo e pretende diversificar as exibições dos clubes no estádio. Por isso, convenceu o presidente Eduardo Bandeira de Mello a colocar o pé no freio e pedir à CBF a troca para Volta Redonda. O clube também concordou por considerar o jogo de pequeno porte. Além disso, atendeu o desejo do elenco de reduzir o tempo longe de casa.
“Se nós enfrentássemos o ASA aí em Brasília, os jogadores ficariam no total três semanas distante do Rio. Temos de levar em conta a parte econômica, mas não perder de vista o bem- estar do grupo”, explica Rodrigo Tostes, vice de Finanças.
A renda e o público pífios em Volta Redonda na Copa do Brasil servem de alerta para o restante do Campeonato Brasileiro. O Flamengo tem mais 17 mandos de campo. Depois de ficar em quinto, quarto e décimo nos últimos três rankings de público do Nacional, o clube foi impulsionado pelo público da partida contra o Coritiba no DF e trava um duelo à parte com o Corinthians pelo título de campeão de bilheteria em 2013. Dono da segunda maior torcida do país, o Timão tem média de 29.332 pagantes por jogo no Pacaembu. O segundo lugar é do Flamengo (22.263), cuja torcida é a maior do Brasil. A última vez que o rubro-negro teve a melhor média de público do Nacional foi em 2009, na campanha do hexa. Desde então, o alvinegro paulista terminou em primeiro lugar nas edições de 2010, 2011 e 2012.
O Flamengo descobriu que o maior aliado na tentativa de impedir o “tetra” do Corinthians no quesito ocupação de estádio é justamente o Mané Garrincha. Na atual edição, o Flamengo foi mandante três vezes. Em Juiz de Fora (MG), 8.932 torcedores pagaram para ver a derrota por 2 x 0 para a Ponte Preta. Na vitória sobre o Náutico, em Florianópolis, o público caiu para 5.033. Na exibição diante do Coritiba, em Brasília, 52.825 pessoas assistiram na arena da capital do país ao empate por 2 x 2 com o Coritiba.