Carlos Eduardo: outro jogador que a torcida do Flamengo cobra muito, que foi um investimento alto, que ainda não rendeu o esperado. E com você ele chegou à seleção brasileira e foi bem. O que acha que aconteceu com o Carlos Eduardo até agora no Flamengo e o que pode acontecer?
O sentimento de frustração ou de realização está ligado diretamente à expectativa que se cria sobre um jogador. E quando o Carlos Eduardo foi contratado, se criou uma expectativa muito grande. Exatamente porque ele mostrou no passado que poderia ser esse jogador. Vem de um período longo, teve uma lesão que o afastou por bastante tempo. Vai começar a render bem certamente porque é um jogador com capacidade para isso. Mas existe uma necessidade de você ter uma equipe boa para as individualidades se sobressaírem. O caso dele e de outros jogadores. Quando tivermos uma equipe boa, constante, capaz de passar segurança, ele e outros jogadores vão crescer.
Um assunto mais delicado: a saída do Renato Abreu foi sua decisão ou não?
Minha posição sobre a questão do Renato foi bastante clara. A direção tinha conhecimento de algumas situações que haviam acontecido ainda quando o Jorginho era o treinador. E que julgavam que não eram administráveis. Que tinham sido graves. De relacionamento, de disciplina. O assunto foi abordado comigo. Eu deixei bastante claro o seguinte: ou a direção fazia o que tinha que fazer antes de eu assumir o grupo ou, a partir do momento que eu assumisse o grupo, ia valer o que acontecesse a partir daquele momento. Um técnico não pode chegar num clube e demitir um jogador pelo que ele fez com outro técnico. Não é serio isso, não é correto. Então eu não faria. Se eu assumisse com o Renato, a relação dele comigo ia contar a partir daquele momento. Mas a direção do Flamengo entendeu que o que havia acontecido era muito grave e que não poderia ter continuidade.
Não pode falar o que foi?
Não, eu não estive presente. A direção sabe o que aconteceu. E não seria muito correto da minha parte comentar uma coisa em que não estive.
Desde que você chegou ao Flamengo, fala muito em organização tática. É tão importante quanto talento individual para um time?
Só é importante. Não é mais possível com talento individual você ter grandes conquistas. Certamente ele vai ser importante num momento de igualdade, num momento que a individualidade deve sobressair. Mas, para ela conseguir fazer isso, para o jogador conseguir usar o talento individual de forma decisiva, a equipe precisa estar organizada taticamente, sem dúvida.
Você só trabalhou isso até agora, mais forte?
Não é possível trabalhar o futebol em compartimentos. Você trabalha o futebol de uma forma geral. Você pode, em determinados momentos, considerar isso prioritário e aí trabalha mais isso. Mas não é possível deixar de trabalhar a confiança em paralelo, porque o jogador vai tomar decisão. Não é possível não trabalhar tomada de decisão, porque vai recair sobre esse momento a parte crucial do jogo. Você passa as informações, mas o jogador decide na hora H. E ele precisa estar preparado para isso. Precisa ter conhecimento, estar confiante, ter a cabeça boa. Não pode mais trabalhar a parte física separada. É desnecessário. Você precisa estar muito bem fisicamente para não prejudicar o trabalho. Então, trabalha-se tudo de forma conjunta. Mas você prioriza algumas questões. E neste momento eu priorizei a parte tática porque julgo ser fundamental.