Pontos corridos deu um choque de realidade aos Clubes cariocas.

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Criado durante a ditadura militar, o Campeonato Brasileiro só chegou à hoje pouco contestada fórmula de pontos corridos justamente no ano da ascensão de Lula à Presidência, em 2003, mais de três décadas depois do surgimento da competição. Exaltados por seus defensores como passo imprescindível para a modernização do futebol brasileiro e criticados por seus detratores por colaborar a longo prazo para reduzir o equilíbrio e as chances de título entre todos os concorrentes, os pontos corridos chegam hoje à sua 11ª edição — e uma década depois de implementados, dão um pouco de razão aos dois lados.

Acabaram as viradas de mesa, diminuíram consideravelmente as mudanças na tabela de jogos, e concentrou-se, ao menos geograficamente, a lista de campeões. Nas 32 edições, entre 1971 e 2002, disputadas no mata-mata, era um orgulho dos torcedores brasileiros poder dizer que o país teve 32 finais diferentes. Nos dez anos de pontos corridos, o troféu só saiu do eixo Rio-São Paulo no primeiro ano, em 2003, quando ficou com o Cruzeiro.

Num momento em que os caixas dos clubes nacionais recebem um aporte financeiro em níveis nunca antes vistos, a análise do balanço da década de pontos corridos mostra que o poder do dinheiro e a capacidade de organização levam ao topo.

Há dez anos, o futebol carioca simbolizava o atraso no futebol brasileiro. Salários constantemente atrasados, indisciplinas, diretorias incompetentes e futebol pouco competitivo. O descompasso com a modernização no calendário se refletiu em resultados: nos primeiros quatro anos de pontos corridos, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco brigaram várias vezes contra o rebaixamento — e nenhum deles conseguiu terminar o campeonato entre os quatro primeiros.

Projeções para os cariocas

À zona que leva à Libertadores o futebol carioca chegou oito vezes em dez anos, todas de 2007 para cá (quatro com o Flu, três com o Fla e uma com o Vasco). Na cruel comparação, os grandes de São Paulo terminaram entre os quatro primeiros o dobro de vezes, com 16 aparições (sete do São Paulo, quatro do Santos, três do Corinthians e duas do Palmeiras).

Se o rendimento carioca melhorou nos anos mais recentes, ele pode ser creditado a uma melhor organização dos clubes fora de campo, mas esta evolução não é, para usar um termo surgido também na última década e muito em moda, sustentável. Atual campeão brasileiro, o Fluminense terminou no pódio nos últimos três anos, é indiscutivelmente um dos favoritos ao título novamente e o único do Rio que, ao menos por ora, dá a certeza que fará boa campanha.


O Vasco foi vice-campeão em 2011, o Flamengo terminou entre os cinco primeiros quatro vezes nas últimas seis temporadas, mas nenhum dos dois autoriza expectativas muito otimistas no Brasileirão de 2013.

O Botafogo está numa zona intermediária das projeções que resume bem seu retrospecto histórico. Disputou nove edições dos pontos corridos (estava na Série B em 2003) e, por seis vezes, terminou entre o sexto e o nono lugares. Pior: é o único, dos 12 grandes clubes nacionais, que jamais terminou na zona de classificação para a Libertadores. Dar o salto que lhe permita ultrapassar esta zona do “quase” é, outra vez, o grande desafio do atual campeão carioca. A estreia, hoje à noite, contra o Corinthians, campeão paulista, é bom termômetro do potencial alvinegro em 2013.

Pelas campanhas recentes em diversas competições, é razoável afirmar que o Fluminense tem a companhia, na prateleira mais alta dos favoritos ao título, do Corinthians, campeão mundial, e do Atlético-MG, sensação da atual temporada. O time do técnico Cuca é o maior candidato a interromper a primazia de paulistas e cariocas dos últimos nove campeonatos.

Seu rival, o Cruzeiro, e os gaúchos Grêmio e Internacional também alimentam esperanças de voltar ao topo. O time colorado só fica atrás do São Paulo em número de pontos acumulados somadas as dez edições de pontos corridos, mas não venceu nenhuma delas. Entre os 12 grandes do país, é o que vive o jejum de títulos mais longo: venceu o Brasileiro pela última vez em 1979.

Fonte: O Globo


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