A turbulência pela qual atravessava o futebol rubro-negra já fora enfrentada no primeiro turno, quando Jorginho acabou demitido. Deu certo, com vitória de 3 a 0 sobre o Criciúma e um alívio no futebol do clube. Desta vez, Mano pulou ao mar e deixou o barco à deriva. Indicado ao posto, Jayme assumiu o comando e enfrenta o mar revolto mesmo sem a certeza de efetivação.
“Eu trabalho jogo a jogo. Como não me comunicaram nada, não veio ninguém, eu tive de fazer o treinador. Estava acertado que eu faria esse jogo (contra o Botafogo). Eles estavam em negociação. Entendo a posição da diretoria, do clube, mas entendo que nesse momento a gente tem de dar o melhor. Então vou dar o meu melhor, tranquilo. Tenho uma história dentro desse Flamengo e tenho muito respeito por esse clube”, disse Jayme.
As palavras parecem refletir um tom severo, um timbre mais duro. Que nada. De óculos, uniforme de treino ainda molhado depois da chuva, Jayme dá o seu recado de forma mansa. Pelo Flamengo, foi zagueiro de 1973 a 1977. Depois, voltou ao clube como observador técnico, em 2004, para auxiliar Junior, então diretor-técnico, outro parceiro de temporadas em campo. Com a experiência alcançada ao longo de uma vida de anos no meio do futebol, Jayme mostra confiança de quem está ciente da oportunidade dada.
“Quando eu parei de jogar bola eu me formei em Educação Física, curso de técnico, treinei várias equipes, não com projetos reluzentes, mas que deram certo. Minha carreira como treinador auxiliar foi muito bonita, independentemente de trabalhar em time grande. Meu currículo é bom. Independentemente do que aconteça, tenho responsabilidade para trabalhar em qualquer equipe. Torço muito para que dê certo. Vamos trabalhar para isso. Enquanto a diretoria precisar de um profissional e correr atrás, estou aqui”, disse o técnico interino.
Nesta quarta-feira, quando o placar do Maracanã anunciar o treinador do Flamengo, vai brilhar o nome de Jayme de Almeida Filho. Sem medo.