Na véspera do seu jogo mais importante da temporada, na quarta-feira, contra o Botafogo, no Maracanã, na abertura das quartas de final da Copa do Brasil, o Flamengo terá de tirar forças de seu momento de maior fragilidade. Sem as principais esperanças do time na temporada, já que o técnico Mano Menezes abandonou o cargo e o volante Elias está suspenso, o time terá, ao menos, a cara de um Flamengo vencedor que ficou no passado. Únicos jogadores do atual elenco que já foram campeões pelo clube, Leonardo Moura e Felipe estão liberados para voltar ao time, que será dirigido pelo interino Jayme de Almeida. Convidado no sábado pelo vice-presidente de Marketing, Luiz Eduardo Baptista, Abel Braga confirmou ontem sua posição de só voltar a trabalhar no início da próxima temporada.
A chance que se oferece a Jayme, ex-zagueiro rubro-negro nos anos 1970, é a mesma que consagrou os interinos Carlinhos e Andrade como grandes campeões rubro-negros. Além do trabalho sério de comissão técnica e jogadores, que venceram 12 dos últimos 17 jogos, a conquista do Brasileiro de 2009 consagrou uma força da natureza. Com o presidente Márcio Braga licenciado, e a renúncia do vice de futebol, Kleber Leite, o campo político ficou aberto para que a identidade rubro-negra se manifestasse. Com a efetivação do técnico interino Andrade, e o aproveitamento de jogadores desacreditados, o Flamengo se reencontrou com seus melhores momentos e com uma lição ainda atual.
— A hora é de união — conclama o presidente Eduardo Bandeira de Mello, empenhado em juntar os diversos elos do processo numa só corrente de apoio ao time. — Tenho recebido várias mensagens até de pessoas que mostravam divergência com a nossa gestão. Ligaram para dizer que estão junto do time. É nessa hora que os verdadeiros rubro-negros aparecem, dentro e fora de campo.
Um dos ex-presidentes que deram apoio à eleição da atual diretoria, Kleber Leite diz que está pronto a ajudar sempre que for solicitado. Mesmo que não tenha sido chamado à mesa de negociações que discute a permanência de Jayme e do diretor-executivo Paulo Pelaipe, Kleber já oferece sua contribuição ao defender mudanças sem que o clube precise renunciar à austeridade financeira.
— O momento é de agir. O futebol tem que ser pensado com o tamanho do Flamengo. Gestão compartilhada no futebol não existe. Quanto menos gente, melhor. Acredito nas pessoas que estão no clube, eles chegaram agora e também estão aprendendo — disse, ao apontar para o mercado que resta neste momento em que o time precisa de reforços. — Não é possível que não haja na segunda divisão um nome para o meio ou para a zaga.
Fonte: O Globo