Em contato com a reportagem do ESPN.com.br, o vice de futebol do Flamengo mostrou decepção com a decisão do técnico, garantiu ter cumprido os desejos do treinador na questão de reforços e que Mano, desde o início, sabia das limitações estruturais. Em entrevista ao UOL, Mano afirmou que “os problemas do Flamengo não são os jogadores, o problema é geral”. Em busca de respostas, o vice de futebol rubro-negro evitou comentar a busca por um grande nome como Abel Braga e acompanhou a intenção do presidente Eduardo Bandeira de Mello mais cedo: apoio ao técnico, por enquanto interino, Jayme de Almeida. Confira a entrevista.
Já falou com o Mano após o pedido de demissão?
Tentei falar com ele depois do jogo, quando o Pelaipe me ligou. Ele não quis atender, disse que não queria falar com ninguém. Mandei e-mail, liguei. Hoje ele mandou um SMS agradecendo a oportunidade. Disse que era o melhor para para o Flamengo e um dia eu ia entender. Ele deveria dizer o que é, se foi maltratado de alguma maneira. Fica difícil entender.
Há algum problema no ambiente do futebol?
O ambiente é ótimo, os jogadores estão surpresos com essa saída. Ninguém esperava mesmo.
A busca será por um nome de peso para o cargo de técnico?
Vamos com Jayme (de Almeida) já no domingo e vendo como a coisa se desenrola. Se ele cotinua ou não, vai depender do futebol. Depende de ambiente, de muita coisa. Já vimos com Carlinhos, Andrade há um tempo atrás e deu certo. Vamos esperar.
Muito se fala em Abel Braga para assumir o time. Há ao menos uma possibilidade de tentar esse nome?
A gente tem de ir com uma coisa de cada vez. Fomos explicar hoje aos jogadores que a gente não sabe o que ocorreu. Fomos também para oficializar o Jayme no jogo de domingo, falar de planos. No mercado tem poucas opções. Poucos bons nomes disponíveis no momento. Jayme é desconhecido, mas sabe de futebol. Não vai ser nenhuma aposta. O Jayme já teve desempenho com o Criciúma. Tudo é resultado.
Houve críticas recentes de que o departamento de futebol não vem sendo bem conduzido. Há pouco tempo integrantes de uma torcida organizada em um protesto na Gávea gritavam que o presidente, Eduardo Bandeira de Mello, era seu laranja. Como reage às críticas?
O presidente é o Eduardo Bandeira de Mello. Eu sou o responsável pelo futebol, há os outros vice-presidentes. Aquilo lá é um grupo que entrou. Não tem esse negócio de laranja. Aquilo (protesto) foi basicamente questão de ingresso. A torcida te se comportado bem no geral. Durante o jogo tem de apoiar até o final. Pode protestar sem violência. Já fui torcedor, sou ainda e a torcida tem toda razão. O Flamengo não era pra estar numa situação como essa. Nosso elenco não é muito pior do que times que brigam mais em cima. É um time que ganhou do Cruzeiro, do Fluminense, mas oscila muito, como o próprio Mano disse. Mas dizer que é horroroso…não é. Se tivesse dois craques, ótimo, seria melhor. Mas a torcida tem dado muito apoio nessa situação como nunca nessa história recente. A torcida tem tido papel fundamental. A gente está trabalhando, vanos ter um melhor time. Entendo a reclamação.
Mano disse em uma entrevista que o problema do Flamengo é geral. Entende o que ele quis dizer?
Acho que ele tinha de explicar detalhadamente o que é o geral. Sem saber o que é geral é difícil dizer.
Houve algum momento em que ele detalhou uma insatisfação? A diretoria deixou de cumprir algum acordo firmado antes?
Ele pediu três jogadores (Chicão, André Santos e Heinze), a gente trouxe dois. E tinha outro que ele queria agora (Rodriguinho, ex-América-MG) e falei: “vamos lá, vamos tentar”. Ele tinha razão em pedir. Falei que íamos investir o CT, estamos esperando a prefeitura. Ele tinha ciência de toda a situação. Trouxemos o André, O Chicão, tinha o Heinze e outro jogador que acertamos e desistiu na hora. Ele viu o nosso esforço. Ele jamais disse: ‘se não trouxer, vou embora’. Estávamos já planejando 2014, iríamos ter uma reunião após o jogo contra o Botafogo. Não sei o que ele quis dizer que o problema é geral. Se ele fosse mais específico…mas até ontem de manhã não havia nada. Acho que ele deveria ter me ligado em vez de ir pra imprensa. ‘Quero ir embora porque não gosto do Flamengo, não tive jogador, quero ir pra outro clube, desistir da carreira’. Se ele tinha qualquer problema em relação ao Flamengo, era só falar. A única coisa que eu esperava era me ligar para explicar a razão. A hora que fosse. Eu brincava com ele, gostaria que fosse o nosso Alex Ferguson (ex-técnico que deixou o Manchester United em 2013 após 26 anos). Ele (Mano) era a base do projeto. Como treinador e pessoa, era um cara tranquilo e firme. Lamento. Temos de olhar para frente. Mano não é o único. Nós vamos ressurgir.
Não seria necessário um técnico de maior renome neste momento, até para dar suporte aos jogadores?
Jayme é um cara muito qualificado. Ele não tem a experiência que o Mano tem, de seleção. Mas é auxiliar nas horas difíceis e sempre o fez muito bem. Como diz o Júnior, ele tem a pele rubro-negra, conhece bastante. É um cara bem quisto pelos jogadores e às vezes a solução vem daí. Se os resultados vierem, vamos usar o Jayme como nossa base. Ele é preparado.
Então a busca por um grande nome pode nem acontecer?
Hoje a gente foi no CT conversar com o Jayme. Temos de nos preocupar com o Náutico, depois tem Botafogo. Uma coisa de cada vez.
Fonte: ESPN