A capacidade do Flamengo de transformar centroavantes tecnicamente limitados em ídolos merece um estudo de caso. Hernane é o novo “objeto científico”. Contratado em 2012 na gestão da ex-presidente Patrícia Amorim por ter sido vice-artilheiro do Campeonato Paulista — atrás apenas de Neymar — o Brocador demorou mais de um ano para atingir o status de xodó. Até janeiro, o jogador de 24 anos era um mero estepe do badalado Vágner Love, dono da camisa 9. Com 31 gols na temporada, o baiano de Bom Jesus da Lapa pode fechar 2013 como o maior goleador do Brasil.
Qual o lugar de Hernane na história do Flamengo?
Hernane é o artilheiro da Copa do Brasil com seis gols. Também foi o jogador com mais bolas na rede no Campeonato Carioca (12). No Brasileirão, está a apenas dois de alcançar Éderson (15), do Atlético-PR. A possibilidade de conquistar a tríplice coroa dos artilheiros no mesmo ano, marca jamais atingida no Brasil, aumenta a badalação em torno de Hernane. A euforia rubro-negra lança uma dúvida: o Brocador seguirá os passos de um ídolo eterno, como Nunes, parceiro de Zico? Será ele um atacante folclórico, como o xodó Obina, com pouca habilidade e muito carisma? Ou o tempo fará o flamenguista apagar o goleador da memória, como fez com Josiel, por exemplo?
Os números, ao menos, desafiam Hernane a sonhar em atingir o status de Nunes. O Brocador balançou as redes 34 vezes em 62 jogos e tem uma média de 0,54. Nunes atuou em 214 partidas e marcou 99 vezes, aposentando-se com média de 0,46. Atento, o Flamengo estendeu o contrato de Hernane até 2016. “Ele está apenas em uma boa fase, aproveitando as oportunidades. A bola está procurando por ele”, minimiza Nunes, em entrevista ao Correio.
Apelidado de Artilheiro das Decisões, Nunes se recusa a ouvir comparações de Hernane com ele. “Ele pode até virar ídolo de vez, mas, compará-lo ao Nunes, são outros quinhentos. Para ser Nunes, ele precisa fazer gol em final de Mundial de Clubes e em duas decisões de Brasileirão”, brinca.
Fonte: Super Esportes
Nenhum comentário

