Como explicar o título do Flamengo na edição mais difícil da Copa do Brasil levando em conta que o time passou a maior parte do Campeonato Brasileiro brigando para não cair? Atrás desta resposta, o blog entrevistou o goleiro Flamengo. Por telefone, o camisa 1 falou sobre a taça, os momentos delicados do Rubro-Negro ao longo do ano, sua recuperação surpreendente e o futuro.
Você achava no começo da Copa do Brasil que o Flamengo poderia chegar ao título?
No começo do campeonato, não! Mas, depois que a gente eliminou o Cruzeiro, tinha certeza de que dava. Naquela época, a gente estava muito mal no Brasileiro e despachamos o melhor time do país. Para mim, ficou bem claro ali que a camisa do Flamengo é muito pesada.
Então, os jogos contra o Cruzeiro foram os mais importantes da caminhada rumo à taça?
Com toda a certeza. Primeiro, aquele gol do Carlos Eduardo no Mineirão. Depois, a vitória magrinha no Maracanã com gol do Elias. Foi aí que o time inteiro se conscientizou de que dava para ser campeão.
Você falou em camisa pesada. Mas o que pensa sobre o time do Flamengo?
Temos um time limitado e a gente sabe disso. A grande verdade é que não somos o melhor time do Brasil, mas também não somos o pior.
Ou seja, a chance de ser campeão era em um torneio mata-mata?
Claro. Para ganhar um campeonato de pontos corridos, é preciso ter bem mais do que um time, porque trata-se de um campeonato longo, que exige reposição de peças. Já na Copa do Brasil… Ano passado, por exemplo, o Palmeiras ganhou a Copa do Brasil e foi rebaixado no Brasileiro.
Esse título com o Flamengo está entre os mais importantes da sua carreira?
É disparado o mais importante da minha carreira. Primeiro, porque é pelo Flamengo, meu time de coração desde que me conheço por gente. Depois, por toda a dificuldade que foi a Copa do Brasil. O campeonato durou o ano inteiro e teve todos os times da Libertadores.
E o Flamengo pegou todos os times que estão no G-5 do Brasileirão, exceto o Grêmio.
Pois é. Foi pedreira em cima de pedreira. Pegamos o Cruzeiro nas oitavas de final, o Botafogo nas quartas, o Goiás nas semifinais e agora o Atlético-PR na grande decisão.
Como você encarava a descrença geral no Flamengo?
Isso só serviu de motivação. Ninguém sabe o que a gente passou em 2013. Fomos esculachados pela imprensa, enfrentamos problemas de salário atrasado, a torcida não botou fé na gente…
Como estão sendo as horas seguintes ao título?
De comemoração. Depois do jogo, eu fui dormir às 6h da manhã e só acordei às 13h45). Fui com minha família e meu empresário para um restaurante na Barra. Por coincidência, apareceram o Elias, o André Santos e o Samir. E ficamos comemorando. Já na quinta à noite, fui no Barra Music com minha mulher e o André Santos, o Paulinho…
Você dedica essa taça a alguém especificamente?
Tenho que dedicar ao (José Luiz) Runco, que é o médico do Flamengo. Quando eu me machuquei e passei por uma cirurgia (fez uma artroscopia no joelho esquerdo), a previsão é de que eu só voltaria em 2014. Mas o Runco falou: você vai jogar as finais.
E você acreditou na profecia dele?
Tive que acreditar. E me dediquei pra caramba na recuperação. Tanto que eu fazia o tratamento de manhã e a tarde no clube e tratava quando chegava em casa, de noite. Foi assim de segunda a segunda. A recompensa é que voltei apenas três semanas depois.
Você fica para 2014?
Tenho contrato até dezembro de 2015 e com certeza vou ficar. Já roí o osso durante os últimos meses… você acha que vou perder o file, que virá agora com a Libertadores?
Fonte: IG

