Se dentro de campo a primeira partida da final da Copa do Brasil transcorreu normalmente, fora a situação esteve longe do normal para um evento deste porte. Construído na década de 40 e utilizado na Copa de 1950, o Estádio Durival Britto viveu uma noite de confusões, superlotação, furtos e reclamações por conta de torcedores e até mesmo de pessoas ligadas à comissão técnica do Flamengo, time visitante.
Furtos, violência e superlotação: Durival Britto vive noite complicada.
Desde horas antes da partida uma grande aglomeração estava formada no portão destinado à entrada da torcida do Flamengo. Torcedores bebiam, cantavam e esperavam a chegada do ônibus do time carioca para saudar os jogadores. O tempo passou e a truculência deu o tom do local. Tão logo o ônibus do Flamengo surgiu, a torcida fez festa. A cerca de 1h20 do início da partida, os jogadores ainda estavam dentro do veículo.
Diante da impossibilidade de estacionar o ônibus dentro do estádio dada ao grande acúmulo de veículos, os jogadores tiveram de descer a pé e caminhar até o vestiário. Caso algum torcedor chegasse próximo era asperamente repreendido pelos policiais militares que estavam no local. O despreparo atingiu também os jornalistas que estavam na área. Um profissional levou empurrões para deixar a rua com a proximidade do ônibus do Flamengo.
Não satisfeito, o policial, armado e com cassetete, proferiu uma saraivada de xingamentos em direção ao profissional de imprensa e o ameaçou de prisão caso houvesse resposta. Dentro do estádio, a polícia teve trabalho, mas desta vez foi a civil. Um fotógrafo de uma agência e uma cinegrafista que prestava serviços para o próprio Atlético-PR foram furtados dentro da sala de imprensa do estádio. O primeiro, Heuller Andrey, perdeu cinco lentes, uma cãmera e um laptop, em um prejuízo estimado em R$ 100 mil. A cinegrafista, por sua vez, perdeu a câmera avaliada em R$ 12 mil.
“Vamos instaurar inquérito e verificar todo sistema de segurança para tentar identificar o responsável. Trabalho no Paraná há dez anos e não vi casos como esse”, disse o delegado da polícia civil, Clóvis Galvão, enquanto as vítimas assinavam o boletim de ocorrência.
Nos bastidores do estádio, a delegação do Flamengo sofreu com o aperto do vestiário: os jogadores relacionados para a partida nem mesmo cabiam dentro do local. Enquanto isso, o espaço destinado à imprensa escrita era mínimo e rodeado por torcedores do Atlético-PR, que não economizavam nos xingamentos aos profissionais. Muitos tiveram de ficar em pé em uma escada da arquibancada.
Mais abaixo, outra situação que relatava o caso vivido pelo Durival Britto: a superlotação.
Com os 15.494 pagantes, o estádio teve 16.936 presentes. Muitos torcedores que pagaram pelo ingresso ou eram sócios do Atlético-PR tiveram de assistir ao jogo em pé, com a visão atrapalhada pela grade que protegia o campo. Foi o caso do advogado João Gustavo Hortmann, de 63 anos. Sócio do clube desde os anos 70, ele teve de ficar em pé ao lado da esposa e dos dois filhos. Goleiro do elenco atual do time parananense, Renan Rocha tentou arrumar um assento, mas também teve de permanecer em pé.
Na saída do estádio, cenas tristes. Por orientação da polícia militar, a torcida do Flamengo foi a primeira a deixar o Durival Britto. Ledo engano. Quando os cariocas deixavam o estádio, muitos deles foram vítimas de tocaias de torcedores do Atlético-PR que não tinham ido à partida. Houve agressões e até mesmo pedradas.
Fonte: ESPN
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