Ter o coração rubro-negro não seria um problema para Kleberson nesta final de Copa do Brasil. Duro é ele ser duplamente rubro-negro. Do outro lado do continente, o campeão mundial de 2002 acompanha a decisão entre as duas equipes com as quais mais se identificou no futebol brasileiro: o Atlético-PR, com quem foi campeão brasileiro e acabou em uma Copa do Mundo, e o Flamengo, com quem… foi campeão brasileiro e acabou em uma Copa do Mundo.
Kleberson hoje defende o Philadelphia Union, dos Estados Unidos. Não sabe se ficará por lá. Ele pertence ao Bahia e foi emprestado ao clube norte-americano por duas temporadas, mas sem garantia da segunda – depende dos recursos do clube, que variam conforme a verba recebida da Liga. Pensa em retornar ao Brasil.
Enquanto isso, pela televisão, vê seu passado representado na final da Copa do Brasil. E sem saber exatamente por quem torcer.
– Estou com o coração dividido. Tenho um carinho muito grande pelos dois clubes. Tive histórias fantásticas nos dois. Num, consegui o primeiro título brasileiro, fui para uma Copa. No outro, voltei e fui campeão brasileiro e depois fui para mais uma Copa do mundo. Usar o manto sagrado do Flamengo é uma conquista inesquecível na minha carreira. A gente sabe tudo que envolve o clube. Fico meio dividido nessa situação, porque o Atlético me projetou e tenho as portas abertas lá – comenta Kleberson, por telefone.
É justificável. Foi no Furacão que Kleberson explodiu para o futebol, com dois títulos estaduais e a conquista do Brasileirão de 2001. Foi graças a seu desempenho pelo Atlético que o volante foi parar na seleção brasileira. E na Copa do Mundo. E na galeria de campeões. Virou titular no decorrer da caminhada que resultou na conquista daquele Mundial.
No ano seguinte, Kleberson realizou outro sonho: a transferência para o Manchester United, da Inglaterra. De lá, ele foi para o Besiktas, da Turquia. E aí retornou ao Brasil para traçar no Flamengo uma história parecida com a que teve no Atlético-PR. Em 2009, voltou a ser chamado para a Seleção. E voltou a ganhar um Brasileirão. Resultado: foi para outra Copa, a de 2010, desta vez sem o sucesso de oito anos antes. Acabou emprestado pelo Flamengo justamente para o Atlético-PR, e depois retornou. Não conseguiu ter o mesmo rendimento de antes pelos dois clubes.
Histórias tão fortes com as duas camisas rubro-negras deixam o jogador agoniado com a final da Copa do Brasil. Ele não vê ninguém em vantagem e brinca com a semelhança entre os gols de Marcelo e Amaral no primeiro jogo da decisão, o empate por 1 a 1 na Vila Capanema.
– A decisão está tão igualada que os caras fazem até gols iguais. Qualquer um que ganhe, vou ficar feliz. São dois clubes que carrego no coração. E está muito parelho. O Atlético tem uma equipe muito boa. É um título que a equipe não tem. É uma oportunidade única, e pode tirar forças de outros lugares. Vem lá do fundo. E o Flamengo, no Maracanã, a torcida empurra, os ânimos ficam a mil, acontecem coisas de outro mundo – comenta.
A ótima temporada do Atlético-PR faz Kleberson lembrar do título de 2001 Kleberson conversou com a reportagem do GLOBOESPORTE.COM na última sexta-feira, 22 de novembro. Completavam-se naquele dia exatos dez anos dos momentos mais inesquecíveis, e surreais, da vida dele. Na mesma data, em 2003, ele fez seu primeiro gol pelo Manchester United – também o primeiro gol de um brasileiro pelo clube. Sua esposa foi ao estádio ver a partida. E entrou em estágio inicial de parto ali.
Ela estava com quase nove meses de gravidez. Depois do jogo, festejado, Kleberson ficou conversando com os colegas até encontrar com a esposa ainda nas dependências do estádio. Quando ela o abraçou, sussurrou no ouvido dele que as contrações estavam mais frequentes e que eles precisavam ir ao hospital.
– Cara, foi um negócio que não tem explicação. A gente passou no meio dos torcedores, e eles começaram a gritar meu nome. De repente, eles perceberam o que estava acontecendo e começaram a vibrar junto comigo. Foi uma loucura.
Do estádio, Kleberson e a esposa foram direto para o hospital, onde nasceu o menino, de mesmo nome do pai. Kleberson acabou não tendo no Manchester o sucesso que imaginava. Alega que foi prejudicado por lesões e diz que, mesmo assim, aproveitou muito a passagem por lá. O curioso é que ele chegou ao clube junto com Cristiano Ronaldo. Foram apresentados juntos.
– E o mais engraçado é que a aposta era ele, não eu – brinca Kleberson.
De fato. O brasileiro havia sido campeão mundial um ano antes. Já Cristiano Ronaldo era um promissor atacante do Sporting, de Portugal. Mas não demorou para Kleberson ver que estava diante de um craque raro. A língua os aproximou. O craque português frequentou a casa do volante, se aproximou da família dele, participou de jantares lá.
– É uma pessoa maravilhosa. Eu me orgulho muito de ter participado desse começo de carreira dele.
Nos Estados Unidos
Do Flamengo, Kleberson foi para o Bahia, onde não conseguiu ter futebol marcante. Ele deve rescindir em breve seu vínculo com o clube tricolor, e aí ficará livre para acertar com outra equipe. Aos 34 anos, acha que ainda tem lenha para queimar e espera estar no Brasil durante a Copa de 2014. Mas também não vê problemas em seguir no Estados Unidos. Gostou de lá, embora tenha jogado menos do que gostaria.
– Logo que cheguei aqui, teve um período de adaptação. Em seguida, peguei ritmo, joguei. Fiz um dos melhores jogos contra o Galaxy. Comecei bem, como titular, mas tive uma lesão muscular que me tirou por um bom tempo, quase dois meses. Isso acabou atrapalhando. Voltei depois, fiz até gol. Acho que foi uma temporada boa, mas poderia ter sido ainda melhor. Mas fico dividido. O próximo ano é ano de Copa do Mundo. A gente sabe como vai ser o país. Estou indeciso ainda. O clube ainda não se manifestou. Estamos aguardando.
A definição deve sair em idos de dezembro. Se voltar ao Brasil, Kleberson tem preferência pelo Rio de Janeiro, embora aceite com bons olhos qualquer proposta que permita uma retomada naquele futebol que ele conseguiu mostrar nos dois finalistas da Copa do Brasil de 2013. Ele vê semelhanças.
– A história é bem parecida. São jogadores que estão procurando seu espaço no futebol brasileiro ou europeu. Esse menino Marcelo, por exemplo, foi emprestado para o Vitória, porque o clube não o queria, e hoje é peça fundamental. Tem o Paulo Baier, muito experiente. É uma coisa bem parecida mesmo. Se o Atlético tirar da cartola essa história de 2001, vai ser uma motivação.
Os dez anos de um dia inesquecível
Do Flamengo, Kleberson foi para o Bahia, onde não conseguiu ter futebol marcante. Ele deve rescindir em breve seu vínculo com o clube tricolor, e aí ficará livre para acertar com outra equipe. Aos 34 anos, acha que ainda tem lenha para queimar e espera estar no Brasil durante a Copa de 2014. Mas também não vê problemas em seguir no Estados Unidos. Gostou de lá, embora tenha jogado menos do que gostaria.
– Logo que cheguei aqui, teve um período de adaptação. Em seguida, peguei ritmo, joguei. Fiz um dos melhores jogos contra o Galaxy. Comecei bem, como titular, mas tive uma lesão muscular que me tirou por um bom tempo, quase dois meses. Isso acabou atrapalhando. Voltei depois, fiz até gol. Acho que foi uma temporada boa, mas poderia ter sido ainda melhor. Mas fico dividido. O próximo ano é ano de Copa do Mundo. A gente sabe como vai ser o país. Estou indeciso ainda. O clube ainda não se manifestou. Estamos aguardando.
A definição deve sair em idos de dezembro. Se voltar ao Brasil, Kleberson tem preferência pelo Rio de Janeiro, embora aceite com bons olhos qualquer proposta que permita uma retomada naquele futebol que ele conseguiu mostrar nos dois finalistas da Copa do Brasil de 2013.
Fonte: GE

