Dos seis times que chegaram à última rodada do Brasileirão ainda pensando na Libertadores do ano que vem, quatro são os de melhor ataque da competição. E cinco deles são os que mais fizeram gols em jogadas aéreas.
O Cruzeiro foi o time que mais fez gols com a bola sendo levantada em direção à área adversária (34), o Atlético-PR, o segundo (31) e o Botafogo, o sexto (23). Além deles, Vitória e Goiás, que lutaram até a última rodada pelo privilégio de disputar a competição continental, também estão nesse grupo: o Vitória ficou empatado como segundo time que mais fez gols pelo alto (31), e o Goiás, o quinto (26). O Esmeraldino ficou apenas na 11ª colocação no ranking de melhores ataques (48 gols).
A força do Grêmio, por outro lado, foi saber se defender. Teve o 14º ataque do Brasileirão (42 gols), mas a segunda defesa menos vazada (35 gols). E foi a terceira equipe que menos levou gols de jogadas aéreas (15). Cruzeiro e Botafogo ficaram empatados na quinta colocação entre os que menos tomaram gols aéreos (17).
Não se trata de uma fórmula mágica que sozinha determina o campeão, mas dominar o espaço aéreo é importantíssimo. Que o digam os atacantes Éderson, artilheiro do Brasileirão com 21 gols e que fez nove em jogadas aéreas, e Hernane, artilheiro do ano, que no Brasileirão fez oito gols de seus 16 completando lances em que a bola foi erguida em direção à área adversária.
Ainda assim, nenhum deles foi melhor do que William, da Ponte Preta, que também marcou nove gols depois de a bola viajar pelo alto e leva vantagem por ter acertado o gol em 17 das 33 tentativas realizadas, um eficiência de 51,5% nessas conclusões.
Ataques aéreos
Como mostra o quadro acima, mesmo quando apostam em jogadas aéreas, as equipes têm características diferentes. O campeão Cruzeiro, por exemplo, fez 34 gols nesses lances, mas 22 deles a partir de jogadas de bola parada: 13 em escanteios, oito após cobranças de faltas levantadas sobre a área para alguém completar para o gol e um concluindo um arremesso lateral longo em direção à área. O grande nome cruzeirense aí foi Willian, que cobrou cinco escanteios e duas faltas levantadas que resultaram em gols. Os outros 12 gols foram conquistados em jogadas com a bola em jogo: dois em bolas curtas levantadas (balõezinhos), sete em cruzamentos e três em lançamentos longos.
O Atlético-PR, também classificado para a Libertadores e segunda equipe que mais gols fez em jogadas aéreas, mostrou outra característica. Dos 31 gols com bolas erguidas, 11 foram em bolas paradas (seis escanteios, quatro faltas levantadas e um lateral) e 20 com a bola rolando (seis balõezinhos curtos, nove cruzamentos e cinco lançamentos). Nas bolas paradas, como se podia imaginar, brilhou Paulo Baier, com quatro gols começando em seus pés para dois gols do zagueiro Luiz Alberto e dois do zagueiro Manoel, mas João Paulo fez as cobranças para outros três gols, dois de Manoel e um de Roger.
Há outros destaques quando se analisa as equipes que atacam pelo alto: Portuguesa e Coritiba se juntam a Goiás e Vitória como equipes que marcaram mais de 50% de seus gols em jogadas aéreas. A Portuguesa fez 50 gols no Brasileirão e 28 deles em bolas aéreas (56%). O Goiás marcou 48 gols e 26 deles com bolas altas (54%). O Coritiba conseguiu 42 gols e 22 aéreos (52%) e o Vitória marcou 59 sendo 30 deles pelo alto (51%). O Corinthians vem em seguida, com 13 de seus 27 gols sendo conquistados com a bola erguida (48%).
Defesas antiaéreas
O Corinthians só não marcou menos gols na competição do que o Náutico e, ainda assim, em nenhum momento esteve ameaçado pelo rebaixamento. Embora não seja isso que a torcida espera de um time, a campanha do Timão foi a vitória de uma defesa muito bem organizada. O Corinthians fez gols em apenas 19 das 38 partidas que disputou e sofreu gols em 17. A grosso modo, o ataque jogou apenas um turno, mas a defesa jogou ambos, mantendo a postura que levou o clube às grandes conquistas dos últimos anos, incluindo o Paulistão 2013.
Durante todo o primeiro turno, o Corinthians não levou qualquer gol em jogadas aéreas. No segundo, tomou sete (três em cruzamentos, um em escanteio e três em lançamentos longos).
Só o Atlético-MG se aproximou desse desempenho. Levou apenas dez gols aéreos (dois balõezinhos, dois cruzamentos, três escanteios, uma falta levantada e dois lançamentos). Mas as duas equipes mudam de posição quando considerada a importância das bolas aéreas entre o total de gols sofridos. Aí, o Galo toma a frente.
Apenas 26% dos 38 gols que o Atlético-MG levou foram conquistados em jogadas aéreas, enquanto a defesa corintiana levou 32% dos 22 gols em jogadas pelo alto.
Grêmio, Santos (15 gols), Cruzeiro e Botafogo (17) completam a lista dos que menos gols aéreos levaram. Já a lista de percentual de aéreos entre o total de gols é completada por Internacional (35%), Náutico (39%) e Santos (40%).
William
O atacante sofreu junto com a rebaixada Ponte Preta. Marcou 14 dos 37 gols da Macaca. No primeiro turno, fez 11, sendo oito deles em jogadas aéreas. Mas no segundo turno do Brasileirão, o atacante marcou apenas três gols e só um deles aéreo. Ainda assim, o impressionante desempenho da primeira metade do campeonato foi suficiente para ele se tornar a grande referência da competição em jogadas pelo alto.
De seus nove gols aéreos, apenas dois foram marcados de cabeça. Um foi marcado com a perna esquerda e seis com a direita. Marcou um completando um balãozinho, um após cruzamento, quatro em escanteios, um em falta levantada e dois completando lançamentos longos. William fez 33 finalizações com a bola sendo erguida em direção à área adversária, 17 delas chegaram no gol (51,5%) e nove entraram. Nenhum outro jogador fez tanto quanto ele. Mas o artilheiro do campeonato chegou perto.
Para o Espião Estatístico, jogada aérea é qualquer uma que seja iniciada com a bola subindo acima do joelho dos adversários, seja completada ou não com a cabeça, diretamente para o gol, após uma assistência de um companheiro ou mesmo após uma rebatida da defesa. Se a jogada aérea é finalizada e houver uma rebatida, caso haja uma nova conclusão a gol, é considerado que a jogada aérea resultou em duas finalizações. Os vídeos de gols de William, no alto da matéria, formam um bom exemplo do que consideramos jogadas aéreas.
Éderson
O atacante do Atlético-PR foi o artilheiro da competição marcando 21 gols e nove deles foram marcadas em jogadas aéreas (43%). Ele fez um gol após uma bola levantada (balãozinho) sobre a defesa adversária, cinco completando cruzamentos, dois em lançamentos e até mesmo um gol finalizando da pequena área um arremesso lateral de Jonas a partir da ponta direita.
O artilheiro até tentou mais do que William. Finalizou 38 vezes, mas acertou 16 (42%). Fez três de cabeça, 13 em chutes com a perna direita, quatro com a esquerda e um de voleio, que é computado de forma diferenciada.
Hernane
A torcida do Flamengo teve motivos de sobra para comemorar com Hernane, o Brocador. Só o fato de ter escolhido o próprio apelido já mostra a moral que conquistou entre público e crítica.
De seus 16 gols no Brasileirão, a metade foi conquistada em jogadas aéreas, quatro em cruzamentos, dois em escanteios e dois concluindo lançamentos. A importância relativa desses gols é evidente: dos oito gols feitos em jogadas aéreas, em seis o Flamengo empatava quando o Brocador deixou sua marca e colocou o Fla à frente do placar. Dos oito gols que marcou em jogadas com troca de passes rasteiros, em cinco o Fla empatava. Nos outros todos, o Rubro-Negro já vencia quando Hernane fez o dele.
O atacante Dinei, do Rubro-Negro Vitória, também marcou oito gols em jogadas aéreas, mas sua eficiência em arremates corretos foi ligeiramente menor, como mostra o quadro acima.
Fonte: GE


