José Maria Marin não quer ceder de maneira alguma. Organizar o Brasileiro com 24 ou 21 clubes seria uma derrota imensa. Ele quer de qualquer maneira quatro rebaixados para a Série B, respeitando a decisão do STJD.
Para o dirigente, Portuguesa, Vasco, Ponte e Náutico caíram, e ponto-final. Precisa de tudo resolvido até fevereiro. A CBF tem de divulgar a tabela do Brasileiro com dois meses de antecedência. É exigência do Estatuto do Torcedor.
Ele decidiu agir em duas frentes. A primeira é a pública. Entendeu que o departamento jurídico da CBF não estava ágil. Pelo contrário, até, titubeava, e buscou ajuda dos amigos.
O parceiro Juvenal Juvencio indicou um caminho. O presidente do São Paulo recomendou o escritório de Carlos Miguel Aidar. Aidar é indicado por ele para a eleição no São Paulo, e já há a tentativa de cassação das duas liminares na 42ª Vara Cível.
Há o pedido de urgência na análise. Continuam vigorando as ações a favor do Flamengo e da Portuguesa. O juiz Marcelo do Amaral Perino ordenou que a CBF reponha quatro pontos aos dois clubes, e anular a decisão do STJD. Assim, o rebaixado é o Fluminense.
Torcedores dos dois clubes sabem desta tentativa do escritório de Carlos Miguel Aidar, e decidiram entrar com outras ações. Tudo uma tentativa de fazer com que a CBF perca o prazo de fevereiro. Não é um trâmite fácil, rápido, e tudo pode demorar.
A Justiça Comum no Brasil é morosa. Haverá pressão de todas as esferas para que as decisões sejam tomadas. É a imagem do país que organiza a Copa que está em jogo.
Marin não se preocupa com as ações conseguidas por torcedores do Fluminense. Obtidas no Rio, elas defendem exatamente o que a entidade quer. O time carioca na Série A e a Portuguesa na B.
Para não ficar apenas torcendo por Carlos Miguel, Marin trabalha em outra frente. Está usando o seu poder.
Conselheiros garantem que ele e Marco Polo del Nero já conversaram com o presidente Ilídio Lico. Tiveram dele a garantia que o clube não entrará na Justiça Comum, mas não se contentaram, querem que ele acione o advogado e sócio do clube, Daniel Neves. Peça que retire a liminar que recoloca a equipe na Série A. Só que Daniel não só promete não recuar, mas tomar outra decisão, a de entrar com uma outra ação popular, representando centenas de torcedores, exigindo a permanência da Portuguesa na Primeira Divisão.
A diretoria do Flamengo também recebeu pressão, um pedido para convencer Luiz Paulo Pieruccetti Marques. Também com o mesmo objetivo: Retirar a ação na 42ª Vara Cível de São Paulo. A negativa também é uma certeza.
A cassação das liminares não é um processo simples. Advogados experientes garantem que a análise do juiz pode demorar. Fora isso, torcedores também do Vasco já começam a perturbar a CBF. Vários deles tiverem liminares recusadas pela Justiça Comum, até no Mato Grosso.
O desgaste de Marin já atingiu a Fifa. A entidade não pode tomar providências práticas, porque foram torcedores que entraram com as ações. Não há como punir Flamengo ou Portuguesa. Mas não há como negar o desgaste da CBF.
Outra vez o país da Copa do Mundo passa por um vexame. Não bastassem as manifestações, os atrasos nas obras, a violência urbana, agora o Campeonato Nacional de 2013 sendo decidido na Justiça.
Tudo é ruim, péssimo para o Mundial, e para a eleição da CBF, marcada para abril. José Maria Marin está nas mãos de Carlos Miguel. As liminares precisam ser cassadas o mais rápido possível, ou então as diretorias da Portuguesa e do Flamengo conseguir o que parece impossível. Convencer seus torcedores a abandonarem as ações que conseguirem. O quadro é confuso e muito ruim.
“Nós não vamos ficar de braços cruzados. A Portuguesa não pode ser rebaixada ilegalmente. Vamos lutar. Não dependeremos de uma ação só. Faremos tantas quanto forem necessárias. A CBF será obrigada a reconsiderar a injustiça que estava cometendo, ou então não acontecerá o Brasileiro de 2014. A lei está do nosso lado, nós não vamos desistir.” A promessa é do mestre de Direito, advogado e torcedor, Daniel Neves…
Fonte: Blog do Cosme RImoli

