O técnico Jayme de Almeida vai viver um clima de déjà vu neste domingo quando entrar no Maracanã para o pontapé inicial do Flamengo no Estadual, contra o Audax, às 17h. Há 40 anos, ele vivia outra estreia: a de pisar no estádio pela primeira vez como jogador profissional.
Foi no amistoso contra o Zeljeznicar, o mesmo em que Zico assumiu de vez a condição de titular e a camisa 10. Festiva, a partida marcou a despedida do zagueiro Reyes, que deu um toque na bola e deixou o campo. Partiu para uma volta olímpica nos braços da torcida. O paraguaio encerrava ali uma carreira de quase 200 jogos pelo Flamengo. Naquele mesmo momento, Jayme, recém-saído do juvenil, entrava para substituí-lo.
— No primeiro jogo eu estava realmente muito emocionado. Emocionado em relação a quem eu ia substituir, que sempre foi para mim um grande ídolo. O Reyes, paraguaio, volante, que por circunstâncias virou zagueiro e foi para mim um dos maiores jogadores que eu vi na zaga do Flamengo. Ele me passou o bastão, né? E foi daí que começou minha carreira no futebol profissional — recordou o atual treinador.
O peso que Jayme carregava era duplo. Além de substituir o paraguaio, querido pela torcida, também teria que encarar as inevitáveis comparações com o pai, de quem ainda herdara praticamente o mesmo nome. Jaime de Almeida (com “i” ao invés do “y” do atual técnico) atuou pelo clube por 12 anos e depois ainda treinou o time por 69 partidas.
— É lógico que pensei que tinha um peso. Um peso porque meu pai tinha uma história no clube: foi tricampeão como jogador, tricampeão na comissão técnica… Tinha uma história muito bonita no clube. Então acima de tudo pensei em fazer bem o meu trabalho, em dar orgulho aos meus familiares. Não só o meu pai, mas minha mãe, minhas irmãs…
Uma história com o Flamengo que vive seu ápice nos dias de hoje: técnico dos profissionais, campeão da Copa do Brasil e prestes a comandar o time na Libertadores — conquistada pela única vez justamente pelos pés de Zico.
— O Jayme entrou com a inteligência dele e uniu mais o grupo. Deixou todo mundo à vontade para jogar o que sabe — avaliou Joubert, técnico responsável por promovê-lo aos profissionais, que revela uma mudança no posicionamento de Jayme assim que ele subiu para o time adulto.
— O Jayme era cabeça de área. Quando o Reyes saiu, eu virei para ele e disse: ‘Vou dar um empurrãozinho para trás”. Porque ele era técnico, mas não era tão rápido. Então coloquei como quarto zagueiro.
Como jogador do Flamengo, Jayme atuou em 198 partidas e marcou três gols. Foi campeão estadual justamente em 1974, ano de seu acesso.
Fonte: Extra Globo

