Depois de aceitar a responsabilidade de comandar o Flamengo em crise e levá-lo ao título da Copa do Brasil e à vaga na Libertadores, Jayme de Almeida mantém a simplicidade e não se assusta com a possibilidade de perder dois jogadores fundamentais na conquista. Primeiro, veio a dificuldade em manter Elias, que se reapresentou ao Sporting — o clube português não aceitou a última proposta rubro-negra. Agora, os árabes do Al Jazira querem levar Hernane, artilheiro da equipe na temporada passada.
Se não puder contar com os dois jogadores, o treinador vai lamentar. Por pouco tempo. Nada de chorar o leite derramado. Afinal, terá de arrumar o time o mais rapidamente possível até a estreia na Libertadores, no dia 12 de fevereiro.
— Perder é sempre ruim. Elias foi um jogador decisivo para o time, a torcida aprendeu a gostar dele. Hernane fez um ano muito bom e era esperada a valorização do futebol dele. Sabíamos que as propostas iam aparecer. Não cabe a mim decidir se fica ou não. Temos que respeitar a vontade do atleta, do clube, não só a minha. Se ficar vai ser ótimo, vai nos ajudar muito. Se tiver de sair, vou desejar que repita tudo o que fez aqui em outro clube. Torço para ele ser feliz. Mas temos que continuar, não adianta ficar sofrendo, chorando. A minha função é procurar soluções dentro do plantel do Flamengo, temos que pensar no que tivermos em mãos — disse o treinador.
Sem perder tempo, o técnico já está pensando em todas as possibilidades. Antes mesmo da oficialização da vinda de Alecsandro, que deve resolver todas as pendências com o Atlético-MG e assinar até quarta-feira, Jayme admite que poderia usá-lo como substituto de Hernane. Apesar da contratação do atacante estar sendo feita para suprir a saída de Marcelo Moreno.
— Precisava de um jogador ao lado dele (Hernane) ou para substituí-lo eventualmente. Alecsandro fez gols por onde passou, nos interessou muito. Independentemente de termos ou não o Hernane, ele vai ser muito importante. Nixon é muito garoto, mas acredito no seu potencial. Entendemos que precisávamos de um jogador de mais peso no ataque. No caso da perda, devemos utilizá-lo no lugar do Hernane — afirmou o técnico, que não contou com a reapresentação de Luiz Antônio, que entrou na Justiça do Trabalho contra o clube. — Conheço o Luiz Antônio desde que ele tinha 13 anos, quando eu estava no amador do Flamengo. Tenho intimidade com ele, falei com Vanderlei Luxemburgo, que o promoveu. Luiz Antônio tem pai, empresário, e não é mais uma criança. Tem que assumir as coisas que quer, brigar pelos direitos dele, ver o melhor para ele. O caso agora é com o jurídico.
Fonte: Extra Globo

