Na internet e nas ruas de Olaria, zona norte do Rio, o árbitro Rodrigo Saraiva Castanheira sofre com a represália de vascaínos depois de não ter visto o gol marcado por Douglas no clássico contra o Flamengo, no domingo. No dia seguinte ao erro que acabou interferindo no resultado da partida, ele e sua família tentaram manter a rotina normal, em meio aos xingamentos e às juras de morte nas redes sociais. As informações são do Jornal Extra, desta terça-feira (18).
Na página oficial da Força Jovem Vasco, principal torcida organizada do clube, uma montagem com a imagem de Castanheira, vestido com uma camisa metade de árbitro, metade do Flamengo, foi a deixa para uma saraivada de xingamentos voltados ao árbitro. Alguns torcedores instigaram a violência contra ele e outros chegaram até ameaçá-lo de morte.
“ Vamos matar esse corno”, ameaçou um deles. “ Vai morrer filho da p… ladrão”, jurou outro.
No Twitter, outro torcedor postou todos os dados pessoais do árbitro, para em seguida fazer as perguntas “Porrada ou morte?”, “Merece um castigo?”, e depois instigar uma reação por parte da Força Jovem Vasco.
Instruído pela Comissão de Arbitragem da Federação de Futebol do Rio, Rodrigo Castanheira se recusou a dar entrevistas sobre o episódio. Na parte da manhã, sua esposa deixou a casa onde mora rumo ao trabalho com os filhos do casal e também disse que não poderia comentar o ocorrido. Mesmo assim, falou algumas poucas palavras sobre o problema. “Ele está muito chateado com tudo isso. Já vimos algumas ameaças de torcedores na internet, mas infelizmente não podemos falar mais nada a respeito”, afirmou.
Na mesma rua onde mora o auxiliar, a avó da esposa do árbitro contou ter ouvido alguns xingamentos destinados a Rodrigo vindos da rua, ainda no domingo, depois de confirmada a derrota do Vasco para o Flamengo. “Todos na rua o conhecem. Temos de esperar agora essa história passar”, disse.
Por causa das ameaças e dos xingamentos que recebeu na internet, o árbitro, na noite de segunda-feira (17), decidiu deletar sua conta no Facebook como forma de se preservar.
Vale lembrar que ameaça constitui em crime previsto no artigo 147 do Código Penal Brasileiro, passível de pena de um a seis meses de prisão, ou multa.
Apesar do erro, Castanheira não será punido e pode trabalhar em outros clássicos, incluindo jogos de Flamengo ou Vasco.
Fonte: D24AM

