Se os clubes brasileiros sofrem para repor seus zagueiros que, valorizados, rumaram para a Europa, equipes dos outros países da América Sul podem estar em situação ainda mais complicada. Com a moeda mais forte, o Brasil aparece como mais uma rota de saída para os defensores sul-americanos, motivo de preocupação para dois ídolos estrangeiros que atuaram em terras verde e amarelas: Dario Pereyra e Carlos Gamarra.
Em menos de dois meses, seis beques sul-americanos movimentaram o mercado brasileiro. O Botafogo buscou o uruguaio Mario Risso no Defensor (URU), o Flamengo tirou o equatoriano Frickson Erazo do Barcelona (EQU), o Sport trouxe o paraguaio Enrique Meza do Olimpia (PAR) e o Vitória fechou com o argentino Jonathan Ferrari, que defendia o All Boys (ARG). Mauricio Victorino trocou o Cruzeiro pelo Palmeiras e o argentino Nicolás Otamendi foi emprestado pelo Valencia (ESP) ao Atlético-MG.
– Se hoje todos os zagueiros bons e maduros saíram, em outras épocas o camisa 9 também não existia mais, todos tinham ido para o exterior. Penso que no Brasil, assim como no Paraguai, a maioria que permanece no País é jovem demais, ainda projetos de jogadores. Mas no Paraguai a situação tem sido ainda pior – lamentou Gamarra, que defendeu as cores de Internacional, Corinthians, Flamengo e Palmeiras.
O paraguaio ressaltou diversas vezes durante entrevista por telefone com o LANCE!Net que o poder econômico dos times brasileiros tem deixado os torneios vizinhos ainda mais enfraquecidos, mas vê o fenômeno como natural e irreversível. A opinião é compartilhada com Dario Pereyra, que recorda o período em que os jogadores de frente é quem costumavam deixar o Brasil para atuar no exterior.
– Na minha época tinham poucos sul-americanos, de qualquer posição, no Brasil. Os zagueiros bons não tinham costume de sair, assim como no Uruguai. Os jogadores da Seleção ficavam, como o Oscar que jogou comigo no São Paulo. Os que iam eram meias ou atacantes, como Falcão na Roma, Zico na Udinese. Agora inverteu, hoje os zagueiros daqui se dão melhor lá fora do que os homens de frente – opinou o ídolo são-paulino.
Fonte: GE

