A fase de grupos da Libertadores começa nesta terça-feira e, para evitar possíveis problemas fora de campo, os clubes terão de ficar de olho em seus e-mails. A recomendação é do presidente do Comitê Disciplinar da Conmebol, o brasileiro Caio César Vieira da Rocha. O órgão ganhou notoriedade no ano passado, após o episódio envolvendo a morte de um torcedor boliviano em partida do Corinthians, e será responsável mais uma vez pelos julgamentos da competição.
Um detalhe: as suas sentenças são enviadas aos participantes do torneio continental através de correio eletrônico.
“A divulgação se dá pelo envio da notificação dessa forma e eles têm que tomar cuidado para cumprir as determinações”, afirma o ex-integrante da Câmara de Resolução de Disputas da Fifa ao ESPN.com.br.
“Os times têm obrigação de fornecer um endereço de e-mail para a Conmebol e, como foram eles que escolheram, precisam ficar atentos a tudo que chegar. Esse paralelo em relação ao que aconteceu no Brasileiro é difícil de ser feito porque o argumento do advogado da Portuguesa se baseia no Estatuto do Torcedor. Eles dizem que o resultado deveria ter sido publicizado, mas um lado é a publicidade e outro, a eficácia. A eficácia funciona a partir do momento que se tem conhecimento”, prossegue.
Vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Caio César esteve no julgamento que tirou quatro pontos da Lusa e rebaixou a equipe do Canindé no Brasileiro, no fim de dezembro. Ele não acredita que o mesmo se repetirá nesta edição da Libertadores.
No primeiro ano de funcionamento do Comitê Disciplinar, nenhum episódio assim foi registrado.
Para melhorar a organização da Conmebol, o representante pernambucano fez a sugestão até mesmo para que todas as súmulas da arbitragem na competição passassem a ser padronizadas em 2014, facilitando, assim, a compreensão das penas por parte do público em geral.
“Uma das ideias que tivemos foi a de uniformizar as súmulas. Lidamos com diferentes árbitros, de vários países e às vezes os documentos destoam entre si. Até para depois publicizá-los, como acontece no Brasil, é necessário uma melhora em suas redações. É algo que, na verdade, passa mais pela própria gestão da entidade”, explica Caio César Vieira da Rocha.
O advogado de 33 anos assegura que os representantes dos clubes foram todos eles procurados pela assessoria da Conmebol para ficaram cientes das mudanças, segundo ele, sutis no regulamento para o campeonato.
Ele não aposta em um eventual problema com a entrada de torcedores ou até mesmo times na Justiça Comum.
“Na perspectiva da Conmebol e da Fifa, é (uma atitude) extremamente prejudicial para quem for beneficiado por um ajuizamento de medida na Justiça Comum. Acho que a reação seria drástica ao clube. Drástica em termos até de eliminação da competição. Não é uma postura que possa ser estimulada. De outra forma, o torcedor vai entrar na Justiça Comum por um pênalti não marcado e perdemos todo o sentido de esportividade”, diz Caio César.
“O time responde pelo ato de sua torcida. Seja no ambiente de jogo ou ao ingressar com uma medida”, conclui.
Fonte: ESPN

