Pernalonga, Patolino, Gaguinho, Frajola e Michael Jordan. Este quinteto imaginário, “escalado” no filme de animação “Space Jam — O Jogo do Século”, lançado em 1996, serviu de inspiração para a vida de um menino argentino de seis para sete anos, que iria se apaixonar pelo basquete. Ele cresceu, hoje tem 24 anos e é um dos destaques do Flamengo, líder do Novo Basquete Brasil (NBB), com 17 vitórias, sendo 11 seguidas. Natural de Morón, na província de Buenos Aires, o armador Nicolás Laprovittola é uma das armas do Flamengo neste sábado, às 19h15m, no Tijuca, na partida contra o Pinheiros, pelo NBB.
Como lembra o próprio atleta, ninguém na sua família era ligado em basquete, até que ele pôde assistir ao filme em que personagens infantis, liderados por Pernalonga, conseguem convencer Jordan a voltar a jogar, para derrotar o time dos capangas do vilão Swackhammer, que os mantinha presos em seu parque de diversões sideral. Caso vencessem, Pernalonga e seus amigos poderiam retornr à Terra. Claro que a vitória acontece, e como muitas vezes se deu na vida real, com uma cesta de Jordan bem no finzinho do jogo.
— O basquete não era o esporte da nossa família. Mas era fã do Looney Tunes (série de desenhos de Pernalonga e dos demais personagens), que faziam parte do “Space Jam”. Quando assisti ao filme de Jordan, decidi jogar basquete. Comecei com sete anos, em 1997. O filme me chamou para o basquete — conta o armador, cujos dois irmãos mais novos praticam o mesmo esporte.
AULAS DE PORTUGUÊS
O Morón foi seu primeiro clube, antes de ir para o Lanus, com 17 anos, em 2007. No fim de 2013 veio para o Rio.
— Comparo o Flamengo ao Boca Juniors. O Boca é nacional, como o Flamengo. Não conhecia a paixão dos torcedores do Flamengo em todas as regiões do país — comenta. — Às vezes, mesmo jogando como visitantes, temos mais torcedores locais.
No Rio, Laprovittola se adapta ao clube, à cidade e aos cariocas:
— Eu e minha namorada, Florencia, estou tendo aulas de português.
Dentro de quadra, a adaptação vem sendo rápida, tanto que ele vem brilhando em várias partidas, como na recente vitória sobre o UniCeub/BRB/Brasília, em Brasília, onde marcou 33 pontos e obteve 12 rebotes, suas melhores marcas individuais neste campeonato. O armador, de 1,87m, vem mantendo uma boa média de 17,60 pontos, 3,40 rebotes e 5 assistências por partida. Com um elenco forte, que inclui também Marcelinho, Meyinsee, Olivinha, Washam, Shilton, Marquinhos — que retornou às quadras depois de longo afastamento por lesão —, o Flamengo é favorito tanto no NBB quanto na Liga das Américas.
— No ano passado, eu fui vice da Liga das Américas (para o Pinheiros, rival de hoje) e na Argentina. Não viria para um time se não quisesse ser campeão, e creio que o Flamengo tem todas as armas. No NBB, não acho que estejamos muito à frente de times como o Brasília e o Pinheiros. Temos de ir pensando partida por partida — analisa ele.
Convidados para o Mundial
Em geral, armadores são mais responsáveis por distribuir as jogadas do que por pontuar. Mas ele vem sendo também um pontuador.
— No Lanús, não era minha função, mas aqui, com companheiros lesionados (Marcelinho e Marquinhos, que já voltaram, e Benite, em recuperação), virei cestinha. Tento ajudar — diz Laprovittola, que festejou ontem seus 24 anos. — Se pudesse pedir presente, seria a Liga das Américas. Pela seleção argentina, espero jogar o Mundial (em agosto na Espanha) e seria maravilhoso disputar as Olimpíadas de 2016, no Rio.
Em Buenos Aires, a Fiba anuncia neste sábado os quatro convidados para o Mundial. A expectativa é a de que o Brasil seja incluído, pois jamais ficou fora de uma edição, além de ser a sede das próximas Olimpíadas, em 2016.
Fonte: O Globo

