Thiago Silva e David Luiz formam uma das duplas de zaga mais badaladas do mundo. Ídolos de Paris Saint-Germain (FRA) e Chelsea (ING), os defensores são titulares da Seleção Brasileira desde o início da reformulação canarinho com Mano Menezes e são exemplos de uma mudança no mercado da bola. Com os beques em alta na Europa, os clubes brasileiros passaram a recorrer aos países vizinhos para montarem suas defesas.
Desde 2010, quando a parceria foi formada na Seleção pela primeira vez em amistoso com os Estados Unidos, vitória por 2 a 0 na estreia de Neymar pelo time principal, outros zagueiros brasileiros ganharam destaque nos principais campeonatos europeus. Thiago deixou o Milan como ídolo para liderar o milionário PSG, enquanto David foi aposta dos Blues após começo promissor no Benfica. Tudo à sombra de Lúcio e Juan, dupla titular nas Copas de 2006 e 2010.
Além dos novos astros, Miranda foi contratado como aposta pelo Atlético de Madri (ESP) após se destacar no São Paulo e Dante trocou o modesto Borussia Moenchengladbach (ALE) para ser um dos pilares do multicampeão Bayern de Munique (ALE). Já Marquinhos se tornou companheiro de Thiago Silva no PSG em negociação com a Roma (ITA) estipulada em mais de R$ 100 milhões.
– Acho que essa geração tem excelentes jogadores. Eles estão entre os melhores do mundo, principalmente o Thiago e o David, e merecem o reconhecimento que conquistaram. Eles formam uma dupla quase perfeita, com muita experiência internacional e qualidade – destacou o paraguaio Carlos Gamarra, bicampeão brasileiro pelo Corinthians em 1998 e 1999 e que disputou as Copas do Mundo de 1998, 2002 e 2006 pela seleção guarani.
Por outro lado, somente em 2014, cinco zagueiros estrangeiros foram contratados, além do uruguaio Mauricio Victorino, que trocou o Cruzeiro pelo Palmeiras. O Botafogo buscou o uruguaio Mario Risso no Defensor (URU), o Flamengo tirou o equatoriano Frickson Erazo do Barcelona (EQU), o Sport trouxe o paraguaio Enrique Meza do Olimpia (PAR) e o Vitória fechou com o argentino Jonathan Ferrari, que defendia o All Boys (ARG).
Já o Atlético-MG negociou com o Valencia para ter o argentino Nicolás Otamendi por empréstimo até o meio do ano. Se computados a partir de 2010, o número de zagueiros sul-americanos chega a 12. Sem citar os reforços para as laterais, como Miguel Samudio no Cruzeiro e Alvaro Pereira no São Paulo, ou em ídolos de outras gerações como Ramos Delgado e Elias Figueroa.
– Os zagueiros brasileiros são muito valorizados na Europa, aí os clubes têm que procurar na América do Sul. O Real é forte e atrai esses jogadores de ligas sem poder econômico. Já o defensor brasileiro sabe sair jogando, não dá chutão, vira o jogo bem e tem qualidade de passe. Isso é muito importante para os europeus – elogiou Dario Pereyra, uruguaio considerado um dos maiores zagueiros da história do São Paulo, onde atuou entre 1977 e 1988 e foi bicampeão brasileiro.
Representante da atual migração latina para terras brasileiras, Victorino vê nos grandes clubes brasileiros a vitrine mais acessível para os sul-americanos chegarem às suas seleções. O jogador de 31 anos trocou a Universidad de Chile (CHI) pelo Cruzeiro em 2011 e agora aposta na visibilidade dada pelo Palmeiras para voltar à Celeste Olímpica na Copa do Mundo depois de 17 meses afastado por uma grave lesão no tendão de Aquiles.
– Penso que buscamos o Brasil para poder ficar mais em evidência e ir para a Copa. Eu estava no Chile em boa fase, mas aceitei vir para o Cruzeiro porque seria melhor para mim. É mais fácil tirar os jogadores da América do Sul por ser uma potência no mercado. Os times grandes do Uruguai, Chile e Argentina têm jogadores bons, mas não pode competir com a liga brasileira no dinheiro. No Brasil se paga muito melhor – opinou.
Confira os valores de mercado dos zagueiros brasileiros na Europa, das novas promessas do País e dos estrangeiros contratados*:
Na Europa:
Paris Saint-Germain (FRA)
Thiago Silva – 40 milhões de euros
Chelsea (ING)
David Luiz – 26 milhões de euros
Paris Saint-Germain (FRA)
Marquinhos – 25 milhões de euros
Bayern de Munique (ALE)
Dante – 17 milhões de euros
Atlético de Madri (ESP)
Miranda – 15 milhões de euros
Napoli (ITA)
Henrique – 3,5 milhões de euros
No Brasil:
Cruzeiro
Dedé – 7,5 milhões de euros
Botafogo
Dória – 6 milhões de euros
Atlético-MG
Réver – 5 milhões de euros
Corinthians
Gil – 4 milhões de euros
Estrangeiros contratados:
Atlético-MG:
Otamendi – 13 milhões de euros
Flamengo:
Erazo – 1,6 milhão de euros
Vitória:
Ferrari – 800 mil euros
Palmeiras:
Victorino – 500 mil euros
Botafogo:
Risso – 425 mil euros
Sport:
Meza – não disponível
Fonte: Lancenet

