Sob forte calor e a benção da igreja da Penha, Andrade pisou na área técnica do Estádio da Rua Bariri para tentar conduzir o São João da Barra à terceira vitória na Série B. Mas a fé e a disposição do treinador, que não correu para a sombra, não ajudaram, como indica o placar. Enquanto o Flamengo tenta a sorte em mais uma Libertadores, o técnico do hexa segue na busca para recuperar seu lugar ao sol.
— Se eu estou aqui hoje é porque tenho que trilhar esse caminho para buscar alguma coisa maior na frente — diz Andrade.
O caminhado traçado para Andrade o levou até a cidade do Norte Fluminense. Lá, tem que encarar uma vida mais modesta e distante da família (ele aproveita os jogos no Rio e os domingos de folga para visitar a mulher e os filhos), mas onde é uma celebridade local, que tira fotos na rua e não precisa pagar a conta nos restaurantes.
— Mas é só no início, né? Depois as pessoas vão se acostumando contigo no dia a dia. Mas isso tudo é fruto também de um trabalho que foi realizado durante longo período. Então, esse reconhecimento eu acho que é importante. Não só para mim como para qualquer profissional — conta o técnico, tietado por flamenguistas e também por torcedores rivais nas ruas de São João da Barra.
— As pessoas te encontram na rua e pedem autógrafo. Falam “Eu sou flamenguista” ou “Não sou Flamengo mas tenho a amior admiração por você”. E para o ego isso faz bem.
Assim como teve a vida modificada, Andrade também vem alterando a rotina de São João da Barra. Substituiu a maçã dada aos atletas antes dos jogos por sanduíches; acrescentou macarrão à dieta dos atletas e convenceu a diretoria a realizar as viagens um dia antes dos jogos.
— A gente tenta implementar. São uns detalhes que podem fazer a diferença — disse Andrade, antes de deixar o estádio, atrás da “coisa maior à sua frente”.
Fonte: Extra Globo

