Quando uma simples fagulha vira incêndio em segundos, o técnico do Flamengo Jayme de Almeida trabalha com toda a sua simplicidade para que nada passe de fumaça. Num clube em que os fatos tomam proporções explosivas, para o bem e o mal, o treinador usa seus longos anos de Gávea para enfrentar a primeira grande pressão no cargo.
Apesar de não temer o futuro, uma possível derrota para o Vasco, logo depois da eliminação na Libertadores, será suficiente para a desconfiança cair sobre seu trabalho de sete meses como técnico rubro-negro.
Ele tem a seu favor estar cercado por amigos de todos os lados. Na comissão técnica, mantém estreita relação com Cantarele, que foi mantido como auxiliar. Nos meses à frente do elenco – foi promovido em setembro do ano passado -, ratificou o carinho dos jogadores, conquistado ainda como assistente.
Pequenos detalhes, no entanto, mostram a diferença de trabalhar no Flamengo e ser técnico do Flamengo. As brincadeiras do dia a dia com jogadores e funcionários deram lugar a uma postura de mais seriedade, para mantar a hierarquia. A calma aparente é substituída por rompantes de irritação na hora das críticas.
Sejam quais forem as palavras, leves ou duras, todas partem dele. Jayme abre mão de assessor de imprensa pessoal e mantém a sinceridade em qualquer ocasião. Às vezes, gerando certo mal-estar com o departamento de futebol.
Aos 61 anos, ele fez amigos o suficiente no futebol, que, hoje, saem em defesa dele. Eles defendem a sua permanência em qualquer ocasião. E se lembram da postura prometida pela atual gestão do trabalho a longo prazo.
– O Jayme suporta pressão, foi criado dentro da Gávea, tem enorme experiência lá dentro. Todos no Flamengo estão acostumados com isso. Não vai se abalar – disse Andrade, que já esteve na situação do ex-companheiro. Dias depois de perder o Carioca de 2010 para o Botafogo, classificou o time às oitavas da Libertadores. Mesmo assim, foi demitido. – Também me diziam que a Libertadores era prioridade. Não foi bem assim.
O atual técnico do São João da Barra, no entanto, acredita e torce pela vitória:
– O Carioca tornou-se muito importante, pode vir a amenizar a situação.
Fonte: O Globo

