Quem vai ser o campeão brasileiro de 2014? Quais vão ser os melhores jogadores? E as revelações? No fim de semana que abre a principal competição do futebol nacional, as perguntas podiam ser essas. No entanto, a realidade é bem diferente. Horas antes de a bola rolar, o torcedor precisa fazer questões totalmente diferentes. Quais times vão disputar o Campeonato Brasileiro? Quantos serão os participantes? A temporada vai terminar sem interrupções da Justiça? Os resultados de campo serão suficientes para determinar o dono da taça?
Na verdade, o Campeonato Brasileiro de 2014 em dezembro do ano passado. No dia 10, dois dias depois do término da Série A, o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) decidiu analisar irregularidades nos jogos de Flamengo e Portuguesa na última rodada.
Flamengo e Portuguesa foram denunciados pelo STJD no dia 11, três dias depois da última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013. Os dois times foram julgados no dia 16, e cada um perdeu quatro pontos por escalar jogadores em situação irregular – o lateral esquerdo André Santos, no caso dos cariocas, e o meio-campista Heverton na equipe paulista.
As punições mudaram radicalmente a tabela do Campeonato Brasileiro de 2013. Com os pontos perdidos, a Portuguesa acabou rebaixada e salvou o Fluminense, que havia caído em campo. E isso deflagrou uma guerra de tribunais que ainda está longe de terminar.
Desde dezembro, torcedores, entidades de classe, Ministério Público de São Paulo e até a própria Portuguesa acionaram a Justiça Comum para tentar derrubar a decisão do STJD. A CBF montou uma estratégia de contragolpes e conseguiu derrubar todas as ações. Ou quase todas.
Na última quinta-feira, a Portuguesa disse ter descoberto que havia uma liminar de pé. A decisão foi obtida pelo torcedor Renato Britto de Azevedo na 3ª Vara Cível do Foro Regional da Penha, em São Paulo. A CBF chegou a pedir reconsideração, mas a juíza Adaísa Bernardi Isaac Halpern negou.
A Portuguesa pediu então o adiamento da estreia da equipe na Série B do Campeonato Brasileiro, marcada para sexta-feira. A CBF não respondeu, e a equipe do Canindé, contrariando parecer de seu departamento jurídico, decidiu entrar em campo para enfrentar o Joinville.
O jogo de estreia da Portuguesa na Série B, contudo, durou apenas 17 minutos. Um oficial de Justiça apresentou a liminar ao delegado da partida, e a equipe rubro-verde decidiu se retirar de campo.
“Foi o pior cenário possível. O que aconteceu decorreu da falta de sensibilidade e da prepotência da CBF. Ela soube da liminar no dia 10 de abril e foi informada na manhã de ontem [quinta-feira] que a Portuguesa tomou ciência. A Portuguesa não pediu para interromper a rodada ou refazer de última hora a tabela da Série A. Ela pediu o que qualquer entidade sensata faria: adiar o jogo”, disse Daniel Neves, advogado do time do Canindé.
E agora, afinal, em qual divisão do Campeonato Brasileiro a Portuguesa está? A resposta mais precisa é que ninguém sabe. A CBF tem grande chance de cassar a liminar vigente, mas isso só será feito na próxima semana, depois do feriado da Páscoa. A primeira rodada da Série A, portanto, corre risco de não valer nada.
“Os jogos vão acontecer normalmente. O que tem de ficar claro é que jogos são anuláveis. Não anularam um monte por causa do Edilson [Pereira de Carvalho]? Hoje a Portuguesa está na Série A. Se revogarem daqui a um mês e conseguirmos outra, voltaremos à primeira divisão. Aí os jogos realizados serão anulados”, finalizou o advogado da Portuguesa.
A ação da Portuguesa e a ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo sobre o caso seguem em trânsito. É possível que decisões contra a CBF sejam emitidas durante o Campeonato Brasileiro.
Fonte: UOL

