Em 2006, procurado pela imprensa para saber de sua possível demissão, o então técnico do Flamengo, Waldemar Lemos, foi pego de surpresa. O time estava classificado para a final da Copa do Brasil. Depois, o treinador teve sua saída confirmada, em mais uma troca de comando polêmica na Gávea.
“Foi uma sacanagem”, lembra hoje o técnico, que vê muitas semelhanças entre sua saída e o episódio recente com Jayme de Oliveira, demitido na última segunda-feira. E ele não se refere somente à coincidência de ser Ney Franco, de novo, o substituto.
“Muitas coisas aconteceram e eu deixava passar, para não prejudicar pessoas no clube. Mas algumas vezes me pediram e sugeriram que eu colocasse determinados jogadores”, diz Waldemar à Bradesco Esportes FM Rio, insinuando que sua demissão tenha sido motivada por pressão interna.
“Se isso aconteceu mesmo com o Jayme (que teria sido informado da sua demissão pela diretoria somente após o anúncio em nota oficial do clube), acho uma vergonha”, declarou.
O técnico, atualmente no Vila Nova-GO, diz que sua preferência por utilizar jovens da base pode ter contrariado interesses no clube. “Acredito que desagradei porque trabalhei essa base”, declara o treinador.
Sem medalha, mas com faixa e premiação
Naquele 2006 pré-Copa do Mundo, Waldemar fazia campanha regular no Carioca, mas levou o Flamengo à semifinal da Copa do Brasil, quando eliminou justamente o Ipatinga de Ney Franco. Em seguida, porém, caiu e perdeu o lugar para o ex-técnico do clube mineiro.
Waldemar lamenta ter ficado fora da decisão contra o Vasco, quando o Flamengo conquistou seu segundo título da competição. Mas a demissão não o faz não se sentir campeão.
“Não me deram a oportunidade de ser campeão a beira do campo, mas me considero campeão, pela homenagem que os jogadores me fizeram, me dando uma faixa. Mas me pagaram a premiação”, recorda-se o técnico, atribuindo a recompensa aos dirigentes da área financeira da Gávea.
Fonte: BAND

