Na arquibancada, os semblantes contrariados, por vezes uma vaia, um “ah”. São reações ao toque que não vai na direção certa, que sai pela linha lateral, que arma um contra-ataque, que acaba com a jogada ofensiva. E os torcedores cariocas têm bons motivos para torcer o nariz e não gostar dos números excessivos que Botafogo, Flamengo e Fluminense desenvolveram ao longo das cinco rodadas do Campeonato Brasileiro com passes errados. São os três primeiros no ranking dessa estatística, embora na classificação ocupem posições bem diferentes. O tricolor briga na parte de cima da tabela, enquanto alvinegros e rubro-negros já lutam contra a ameaça de rebaixamento.
Com estilo ofensivo e de troca de passes rápida, o Fluminense está no topo da lista. No total são 207, média de 41,4. Tem três jogadores entre os 10 que mais erram. O primeiro é Carlinhos, com 29 passes que não chegaram a um companheiro (média de 5,8 por jogo). Conca e Gum, os dois com 25 (média de 5 por jogo), estão empatados em quinto. Ainda assim, o time vai bem na competição, e ocupa quinta colocação no Brasileiro, com nove pontos. O meia Wagner entende que o estilo ofensivo pode contribuir para que ocorram mais erros.
– Eu acho que no Campeonato Brasileiro não tem um time tão ofensivo quanto o nosso. Se erramos muito é porque nos arriscamos e não ficamos apenas nos defendendo. Quando você consegue atacar bem, você se arrisca mais e vai acabar errando mesmo. Me lembro bem em 2012, quando fomos campeões. O Deco em um certo momento era o jogador que mais errava passes aqui. Não vamos deixar de tentar dentro de campo. Vamos em busca dos gols. Contanto que a bola pare dentro do gol, não tem problema se errarmos. Acho que o Fluminense está no caminho certo – explicou o meia.
O Botafogo é o segundo colocado entre os 20 times da Série A em passes errados. Soma 206, um a menos que os tricolores, média de 41,2. Em terceiro aparece o Flamengo, 198 passes errados, média de 39,6. Só na última rodada, na derrota por 2 a 0 para o São Paulo, os rubro-negros pecaram no quesito 50 vezes. Os alvinegros, que perderam para o Goiás, 52 vezes, e o Flu, derrotado pelo Grêmio, 40. Apenas o Vitória chegou perto desses números, com 40 também. As marcas de Flamengo e Botafogo, por exemplo, superam sozinhas o total no jogo Criciúma x Inter (45). Possivelmente uma das razões por somarem apenas quatro pontos em cinco jogos.
– Essa questão do passe é que a gente não tem conseguido ficar com a bola ou tem feito as escolhas erradas. Talvez pela característica do time, que é de transição, mas também por não ter achado um 10 para fazer o nosso time jogar, ter paciência, rodar a bola. Todos os times têm. O São Paulo tem o Ganso, Palmeiras, o Valdívia, Corinthians, o Jadson. A gente tem o Mugni e outros que infelizmente ainda não tiveram sequência ou não se encaixaram. Pode ser uma análise errada minha, mas o Flamengo sempre teve esse cara, é uma característica do clube. Mas a partir do momento em que todos começarem a acertar, inclusive eu, que tenho errado muito, vai mudar um pouco. Temos errado muito até nos treinamentos – alertou o zagueiro Wallace, do Flamengo.
Paulinho (Fla) é o quarto que mais erra passe, tem 27 (média de 5,4). O representante alvinegro no top 10 é Emerson Sheik, sétimo, com 24 (média de 6 por jogo). A estatística mostra uma tendência que teve em 2013. Ao fim do Brasileiro, havia apenas o São Paulo como intruso entre os clubes cariocas. O Botafogo liderou o quesito passes errados (1.390), seguido de Flamengo (1.249), São Paulo (1.247), Fluminense (1.224) e Vasco (1.217).
Na temporada passada, o Glorioso, time que mais errou, terminou classificado para a Libertadores. Tricolores e cruz-maltinos acabaram na zona de rebaixamento – mas por conta das escalações irregulares de jogadores por parte de Flamengo e Portuguesa os clubes foram punidos, o rubro-negro terminou em 16º, e a Lusa acabou rebaixada para a Série B. O Tricolor carioca subiu duas posições, terminando em 15º.
Fonte: GE


