Carioca de família paulistana, Michael Papler sabe o que significa ser visitante em sua própria cidade. Carteiro por profissão, não perde uma partida do São Paulo no Rio, e já tomou vários sustos nas entradas e saídas de jogos.
– As pessoas arrumam confusão até quando o time da casa vence, mas eu não desisto. E devo vir hoje porque ainda não vi meu Tricolor vencer no Maracanã novo – diz, sobre o clássico contra o Flamengo hoje às 16 horas.
Não é desejo do flamenguista Alexandre Pereira, outro entre os 2.500 torcedores que participam da terceira edição da Corrida das Torcidas. Com largada em frente á Estátua do Bellini, o percurso tem 7,5km pelo entorno do estádio e ruas da Tijuca, a prova tem clima festivo, com a rivalidade em tom de brincadeira.
– Espero que ele se divirta na prova, mas não tanto no jogo. Mesmo com a nova política de austeridade, confio no time, hoje vai dar Flamengo – diverte-se, em uma lição convivência pacífica.
As vascaínas são inseparáveis, Ana Cláudia, Adriana e a mãe, Arminda correm juntas e vão juntas à São Januário.
Mas nem todos têm essa facilidade em garantir a torcida hereditária. Paranaense, torcedor do Palmeiras, Braz Florenzano vive no Rio há 17 anos e bem que tentou influenciar a filha.
– Não teve jeito: ela é flamenguista. Desde que o time dela não enfrente o meu, torço pelo Flamengo para ela não se chatear – conta o meio-maratonista, que usa a Corrida das Torcidas como treino.
O Marcelo Haddad veste a camisa do Fluminense, mas nem sempre foi assim. Bebê, ganhou da avó o uniforme do Vasco, que trocou pelo do Flamengo no início da vida escolar. Mas, aos oito anos, viu a mãe ser assaltada por um ladrão de camisa flamenguista e “virou a casaca”.
– Não queria torcer pelo mesmo time que aquele ladrão e virei Fluminense. Mas hoje sou apaixonado, não largo mais – conta.
A rivalidade agora é com a esposa Andreia, companheira há oito anos. Flamenguista convicta, ela agradece a companhia em sua primeira prova acima de 5km, mas não perde a chance de cutucar.
– Sabe como é…ninguém é perfeito – ri.
Fonte: GE

