Livro conta a história da 1ª torcida organizada gay do Brasil.

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Considerada a primeira torcida organizada gay do Brasil, a Coligay, do Grêmio, é retratada no livro de mesmo nome do escritor gaúcho Léo Gerchmann, lançado nesta semana. Existente por seis anos, entre 1977 e 1983, o grupo de tricolores formado por homossexuais escreveu uma página importante na história do clube e ajudou a revelar a diversidade que compõe sua torcida, segundo o autor. Em participação no “Redação SporTV”, Gerchmann, que é heterossexual, disse que o momento atual é o ideal para se discutir o preconceito no esporte.

– É a história mais importante de diversidade do futebol brasileiro. Acho que é um bom momento para se discutir homofobia e racismo. É uma coisa pouco explorada até agora – disse.

Gerchmann conta que, ao entregar convites para o lançamento do livro à diretoria do Grêmio, foi elogiado pelo vice-presidente de marketing, Beto Carvalho. Segundo ele, o dirigente disse que a publicação ajuda a mostrar que a torcida é plural.

– Estou muito orgulhoso de que 95% das pessoas elogiam, sendo 5% de grosseria. Não vejo como uma polêmica. Se a pessoa tem uma orientação sexual diferente, que seja feliz. Eu estava um pouco temeroso, porque tem aquela reação da torcida homofóbica – disse.

A Coligay foi fundada pelo agitador cultural Volmar Santos, que era proprietário da boate gay Coliseu, localizada a dois quilômetros do Olímpico. Os integrantes costumavam se dividir entre o estádio e a casa noturna. Em 1983, no entanto, Volmar foi obrigado a retornar a Passo Fundo, sua cidade de origem, o que fez com que a torcida acabasse.

Segundo Gerchmann, a Coligay enfrentou resistência por parte de outros torcedores no início, como os organizados da Eurico Lara, facção do Grêmio que homenageia o goleiro que fez história no clube. O escritor lembra, porém, que jogadores e diretores passaram a compreender o papel dos homossexuais nas arquibancadas. Hélio Dourado, presidente do clube à época, sempre se mostrou positivo em relação a eles. O ex-atacante Tarcísio, por exemplo, tinha seu nome gritado pelos integrantes da torcida quando balançava a rede.

Gerchmann conta que a Coligay inspirou a criação de torcidas do tipo em outras cidades, como a Flagay no Rio de Janeiro. Os integrantes da organizada rubro-negra, no entanto, acabaram vítimas do preconceito. O escritor lembra que a estreia do grupo acabou sendo apontada como causa da derrota por 3 a 0 para o Flumiense, em 1979.

– O Flamengo tinha um baita time e levou 3 x 0 do Fluminense, com o Zico perdendo o pênalti. O Márcio Braga disse que a culpa era da Flagay – disse.

Fonte: GE

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