A Fifa tem em seu site um “código de conduta para estádios”, documento que deve nortear o trabalho de segurança nas arenas que recebem jogos de Copa do Mundo. No último sábado, durante Bósnia x Nigéria, torcedores das duas equipes rasgaram o regulamento na Arena Pantanal. Houve tentativa de invasão de um grupo de nigerianos em um dos setores, e bósnios cometeram uma série de infrações no lado oposto.
A invasão dos nigerianos aconteceu no portão leste da Arena Pantanal. Um grupo formado por cerca de 250 torcedores tentou entrar com instrumentos musicais, itens proibidos no “código de conduta para estádios”. Após terem sido barrados na revista, forçaram passagem e correram para dentro do terreno da Arena Pantanal.
Segundo um funcionário da segurança do aparato, todos foram capturados antes que chegassem ao interior do estádio. Alguns dos nigerianos que tentaram invadir não tinham ingresso.
No lado oposto do estádio, exatamente no momento em que a tentativa de invasão acontecia, stewards (funcionários responsáveis pela segurança no interior das arenas) apenas observavam o comportamento de um grupo de torcedores da Bósnia. Os problemas aconteceram em um dos cantos do setor oeste, na arquibancada superior. A torcida BHFanaticos e o comediante Marcelo Adnet estavam exatamente nessa área.
O grupo de torcedores da Bósnia viu todo o jogo em pé, prática proibida pelo regulamento da Fifa. Além disso, ele desrespeitaram lugares marcados e chegaram a se pendurar no parapeito da arquibancada superior da Arena Pantanal.
No fim do primeiro tempo, um casal brasileiro chegou ao setor com ingressos que indicavam cadeiras naquela área. Orientados por um voluntário da Fifa, os dois chegaram ao espaço em que deveriam ficar. Havia torcedores da Bósnia no local, todos em pé. O voluntário pediu que eles saíssem, e eles simplesmente ignoraram.
“Isso está um terror. Falaram que o jogo ia ser tranquilo e que seriam poucos torcedores da Bósnia, mas eles não aceitam nenhum pedido e ameaçam os funcionários. Não conseguimos lidar com eles”, relatou uma das voluntárias da Fifa no setor. O contingente de voluntários da Arena Pantanal, que havia recebido reforço de 80 pessoas no jogo anterior, voltou ao padrão normal no último sábado.
O comportamento dos torcedores da Bósnia gerou uma série de incidentes durante o jogo. Stewards tentaram intervir, mas o grupo que estava na arquibancada não aceitou a ação deles. Ainda no primeiro tempo, a Polícia Militar foi chamada.
“Existe um limite de tamanho para bandeiras, e a deles é maior. O cara não podia pendurar – e nós falamos isso –, mas ele foi lá e pendurou. Ninguém pode ficar em pé nas escadas, mas eles ocuparam todos os degraus. Mas o pior é que alguns estão no limite do parapeito, oferecendo um grande risco de queda”, disse Thiago Dayan, coordenador de segurança privada da Arena Pantanal.
Três policiais militares chegaram quando o jogo Bósnia x Nigéria estava no início do segundo tempo. Depois de 30 minutos, mais dois reforçaram o efetivo. No entanto, nenhum deles agiu para impedir as infrações da torcida da Bósnia.
“E eu vou fazer o quê? Não posso prender ninguém porque eles não infringiram nenhum crime”, disse um dos oficiais. Quase todas as seleções que estiveram na Arena Pantanal até o momento levaram funcionários de suas polícias federais. No sábado, agentes nigerianos chegaram a resolver conflitos com africanos no interior do estádio. A única equipe que não teve nenhum profissional de segurança próprio nas arquibancadas foi a Bósnia.
Os cinco policiais militares e alguns profissionais da segurança interna do estádio ficaram ali, imóveis, até o fim do jogo. “O jeito é torcer para ninguém cair daquele parapeito. Isso seria notícia no mundo todo”, finalizou um dos oficiais.
Fonte: UOL

