Foi inusitado. O “grito de gol” da torcida norte-americana na Arena Pernambuco só veio minutos após o apito final do árbitro. Nem parecia que os Estados Unidos acabavam de ser derrotados pela Alemanha por 1 a 0. Bastou o placar eletrônico confirmar a vitória de Portugal sobre Gana, por 2 a 1, resultado que carimbou a classificação do Tio Sam para as oitavas de final. Um desavisado haveria de estranhar a cena: no estádio, a festa era de quem tinha acabado de perder o jogo, os alemães pouco comemoraram uma classificação mais que esperada.
O público de 41.876 foi o maior da Arena Pernambuco na Copa do Mundo. Mais uma prova de força dos torcedores norte-americanos no Mundial – nenhum outro povo estrangeiro comprou tantos ingressos e passagens aéreas. Nesta quinta-feira, as condições climáticas do Recife se transformou em um baita desafio.
A forte e insistente chuva atrapalhou, mas foi incapaz de esfriar a torcida americana, cujo primeiro grande desafio foi chegar ao estádio. De táxi, BRT (linha expressa) ou metrô, eles se viraram como puderam. E se multiplicaram no estádio. Em frente à arena, comandaram o esboço de festa que a chuva permitiu antes de a bola rolar. No dia em que Recife ficou debaixo d’água nesta Copa, todo esforço valeu a pena.
– O mundo inteiro estava assistindo a essas duas partidas do Grupo G. Ninguém acreditava no início da Copa, mas eu sempre acreditei que os Estados Unidos chegariam às oitavas de final – afirmou Wlliam, um dos mais entusiasmados no meio da torcida americana.
A comemoração se estendeu ao vestiário. Mas, antes de postarem fotos nas redes sociais, os jogadores americanos foram festejar com a torcida. Como se fosse um título, eles correram juntos e aplaudiram um dos setores mais barulhentos do estádio, atrás da meta de Neuer, no segundo tempo.
O momento era deles. Até porque, durante a partida, boa parte dos brasileiros quebraram uma lei quase universal: a de torcer pelo time mais fraco quando se é neutro. Uma pesquisa realizada pelo The New York Times apontou que a seleção norte-americana é a mais “secada” da Copa – ao lado de Irã e Argentina. O índice de rejeição dos Estados Unidos extrapola a questão do futebol.
Com o início do jogo, foi possível notar a adesão da maioria dos brasileiros ao time alemão. O estilo vistoso do time comandado por Joachim Loew, claro, ajudou a engrossar a torcida pró-Alemanha. Para o brasileiro – geralmente exigente – que pagou ingresso, o desejo de ver um grande espetáculo é maior que a ameaça de ver triunfar uma das favoritas a impedir o hexa. Isso ficou evidente aos nove minutos do segundo tempo, quando Tomas Muller abriu o placar. Uma comemoração efusiva dos alemães e espontânea dos brasileiros. Os americanos não precisaram de gol para responder.
– Não me importo se vamos pegar Rússia ou Bélgica. Quem quer que seja, iremos vencer – esbanjou William, um pouco mais calmo, depois da comemoração no final.
Os gritos de “U-S-A” ecoam como nunca por aqui.
INVASÃO
Nos acréscimos, um torcedor alemão invadiu o gramado e correu livremente por entre os jogadores, exibindo uma bandeira do Bayern de Munique. Os seguranças só chegaram quando ele já havia ultrapassado a linha lateral. Foi a segunda invasão de gramado nesta Copa do Mundo, ambas em jogos da Alemanha. A primeira, no jogo contra Gana.
Fonte: GE

