Na noite de 29 de agosto de 1985, Flamengo e Bangu se enfrentaram no Maracanã. Zico era “caçado” em campo. Até que, na mais violenta das faltas, o lateral Márcio Nunes se lança num voo insano contra os joelhos do craque. O meia sofre entorse no joelho direito e precisa ser operado.
Um mês depois sofreu nova lesão, desta vez no joelho esquerdo. O principal jogador brasileiro na época inicia então uma corrida contra o tempo a fim de disputar o Mundial de 1986, no México. Seria sua terceira e derradeira chance de coroar uma carreira brilhante com a conquista de um Mundial.
Após meses de tratamento intensivo, Zico se contunde novamente em um treino da seleção, em março de 86. “Zico pode não ir ao México”, noticiou o Estadão no dia 5 de março. Determinado a se recuperar em tempo recorde, o meia retornou em maio. Tinha um mês para entrar em forma.
“Entre a esperança e o pessimismo, a incerteza de jogar”, publicou O Estado de S. Paulo no dia 9 de maio. O técnico Telê Santana resolveu levá-lo ao México, a despeito de sua condição física. Se havia alguma dúvida sobre a importância de Zico para a seleção brasileira, foi dirimida no amistoso do dia 30 de abril de 1986 contra a Iugoslávia, no Recife.
Ele fez três dos gols da vitória por 4 a 2, sendo um de calcanhar e outro driblando zagueiros, goleiro e entrando quase com a bola dentro da meta. “O Brasil (Zico) vence: 4 a 2”, descreveu O Estado de S. Paulo em 1º de maio.
Zico ficou no banco de reservas nos primeiros jogos da Copa. Antes da segunda rodada, ante a Argélia, treinou entre os titulares e concedeu entrevistas afirmando estar apto a jogar. “Só não enfrentei a Espanha (estreia) porque não estava em boas condições físicas. Acredito que serei escalado contra a Argélia. Tenho como certa minha volta ao time”, foi a frase de Zico destacada pela Estadão na edição de 4 de junho.
O “Galinho de Quintino” estava errado. Telê só o colocou em campo na terceira partida, na etapa final diante da Irlanda do Norte. E assim foi novamente na goleada por 4 a 0 contra a Polônia, pelas oitavas. O técnico o poupava para um momento mais decisivo.
Que chegou nas quartas de final, contra a França. Jogo duro, 1 a 1. Zico entra aos 26 minutos do segundo tempo. Desta vez precisava fazer a diferença. E em seu primeiro lance pôs o lateral-esquerdo Branco na cara do gol, obrigando o goleiro francês a cometer pênalti.
Zico pega a bola e se dirige à cobrança. O goleiro Bats defende. A partida termina empatada e os franceses levam a melhor na decisão por pênaltis. Zico fica sem ganhar uma Copa. Azar da Copa, dizem seus fãs. A falta desse título não impediu o ídolo de deixar uma lição de amor à seleção brasileira e seu nome marcado como um dos maiores jogadores da história do futebol mundial.
Fonte: Estadão
