Curitiba foi parte do roteiro de torcedores ligados a grupos neonazistas e de ultradireita, que circulam pelos campos de futebol propagando sua ideologia ligada ao racismo e ultranacionalismo europeu. Na partida entre Argélia x Rússia, no dia 23 de junho, alguns símbolos foram vistos em bandeiras e adesivos que foram colados na Arena da Baixada.
O acompanhamento de casos e divulgação de imagens destes conteúdos é feito pela rede europeia FARE (Football Against Racism in Europe) e, entre eles, foi identificada uma bandeira preta e laranja que apresentava a Cruz Celta. O símbolo formado por um círculo dividido por um traço horizontal e vertical, que tem origem relacionada aos povos Celtas da Irlanda e Bretanha, também, lembra a FARE, foi adotada por grupos que propagam a ideologia racista da “supremacia branca”.
“A imagem, em particular pertence a uma torcida chamada “Uralmash Supporters” do clube russo FC Ural, de Ekaterinburg. Este cartaz foi, por diversas vezes, exibido por torcedores do Ural em jogos da liga russa, muitas vezes acompanhado de outras mensagens de teor também discriminatório”, informou a FARE através de email enviado pela reportagem do GloboEsporte.com.
Ainda conforme a FARE, a imagem captada pela RPCTV durante o jogo foi enviada para a Fifa juntamente com outras imagens, como exemplos de grupos e movimentos neonazistas ou de extrema direita que estão circulando pelos estádios.
Outro símbolo localizado na Arena da Baixada foi um adesivo colado no vidro dos camarotes do estádio. Através de pesquisa pelo instagram com torcedores russos, a reportagem do GloboEsporte.com encontrou um adesivo do Shady Horse (cavalo sombrio); um cavalo negro e uma ferradura. Segundo a FARE, que analisou a imagem, ela se trata do logotipo de uma torcida organizada do CSKA, de Moscou, formada por hooligans neonazistas. A ferradura é adornada pela suástica nazista.
A FARE acompanha o comportamento dos torcedores nos estádios da Europa, mas, no Brasil, não possui representantes. Segundo informações da entidade, a organização não foi autorizada pela Fifa para realizar o monitoramento de perto. Mesmo assim, ela está de olho nas manifestações preconceituosas pelos estádios durante a Copa do Mundo.
– Nós estivemos em contato com algumas organizações não governamentais no Brasil, que estão cientes da situação geral, no que diz respeito a questões de discriminação e exclusão social. Não temos um esquema fechado com a Fifa para esta Copa do Mundo, embora nós sempre recebemos relatos de torcedores que estão nas partidas e outras observações enviadas para nós por pessoas que estão assistindo na Europa ou em outros continentes – disse o diretor da Fare, Piara Powar, em entrevista por email.
A FARE seguiu o roteiro dos torcedores russos que defendem uma ideologia neonazista e ultradireita, com passagens por Cuiabá e Rio de Janeiro – cidades que receberam a seleção europeia durante a primeira fase do Mundial. Foi através de denúncia da entidade que o invasor de campo durante o jogo entre Alemanha x Gana foi investigado por propaganda nazista. Depois, em entrevista, o torcedor negou e provou qualquer relação.
– Em geral vimos banners de extrema-direita, com referência a movimentos europeus neonazistas. Estes foram vistos com torcedores da Croácia, Alemanha e Rússia. Vimos também alguns símbolos típico dos torcedores sul-americanos e uma referência de homofobia no canto ‘Puto’ dos torcedores do México. Houve também um ataque verbal e físico por torcedores ingleses em dois outros torcedores da mesma nacionalidade que são de minorias étnicas – contou Powar.
Polícia não registrou casos de racismo na Arena
Dentro dos estádios da Copa do Mundo, a segurança e o acompanhamento de possíveis situações ligadas ao terrorismo ou racismo era acompanhada em Curitiba pelo Centro Integrado de Comando de Controle Regional (Ciccr), que reúne policiais federais, civis, militares, e membros de polícias internacionais.
Segundo o Ciccr, não houve alerta da possibilidade de manifestações racistas ou de ultradireita durante o jogo da Arena da Baixada. O único caso registrado foi o controle de bandeiras do Irã pré revolução Islâmica, pois a delegação iraniana alegou que não entraria em campo caso elas fossem mostradas na arquibancada. Na entrada da Arena da Baixada, duas bandeiras foram recolhidas.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Ciccr enviou uma nota comunicando que uma equipe da polícia russa e também argelina também estava infiltrada.
Fonte: GE

