Com livro recém-lançado no Brasil, o sueco Henrik Brandão Jönsson tem como objetivo falar sobre o futebol brasileiro, caracterizado como o mais bonito do mundo. No entanto, Jogo Bonito parece que veio alguns anos atrasado, porque o futebol apresentado pela Seleção nesta Copa do Mundo, assim como nas últimas duas edições, em nada se parece com a história dos craques de outrora. Para Jönsson, o futebol brasileiro, que tanto brilhou e inovou no passado, está atrasado e precisa de mudanças. Para ele, a goleada da Alemanha é um sinal de alerta fundamental.
O que você considera um futebol bonito?
Quem entra em campo quer sempre ser notado. O futebol bonito é quando os passes dão certo. No último jogo a Alemanha jogou um futebol muito bom, a equipe estava entrosada. Mas, para mim, o futebol mais legal é quando rola um histórico, política, quando, por exemplo, o Chile ganhou da Espanha. Isso foi lindo, a colônia batendo o colonizador. Se a Argentina ganhar no Maracanã será política também, de certa forma. Existe uma rivalidade da Argentina com o Brasil e, independente do resultado, acho que vai ter briga. Os argentinos vão quebrar tudo, como já fizeram na fase de grupos, inclusive, e provocaram brasileiros. Então, na final, acho que vai ser muita briga. Infelizmente.
O que você pode falar sobre o estilo de jogo do Brasil nesta Copa?
No geral foi um jogo muito nervoso, angustiante. O melhor, o mais legal foi contra a Colômbia, quando o grupo mostrou mais qualidade e entrosamento em campo, e, mesmo assim, foi uma partida meio lenta. Nada de jogo bonito. O bonito é quando tem uma estratégia de grupo e jogadas individuais, com arte, na finalização. Um time que joga pelas laterais e tem jogadas planejadas, mas, quando chega na área, chega e faz o drible, engana o zagueiro e faz um golaço. O que o Brasil fez na Copa, jogando um pra cada lado, sem saber para onde ir e o que fazer, foi horroroso.
Quando começou sua relação com o futebol brasileiro?
Começou em 2002, quando vim fazer a cobertura de política para a eleição de Lula, e deu tudo certo. Em março de 2003 o Bush (George W Bush, então presidente dos Estados Unidos) entrou em guerra com o Iraque e no jornal que eu trabalho não tinha mais espaço para qualquer outra coisa na editoria internacional. Foi justo nessa época que os jogadores brasileiros começaram a ser vendidos para a Europa. Posso dizer que foi uma chave, um gancho para conseguir entrevistas com personalidades brasileiras.
No livro você fala sobre uma viagem que fez com a Gaviões da Fiel, torcida organizada do Corinthians. O que te chamou atenção nesse episódio?
Na época eu já tinha viajado com outras torcidas, como a do Flamengo, por exemplo, e a viagem foi tranquila. Me disseram que viajar com a Gaviões era problema, mas não acreditei, achei que era exagero. Mas foi ruim, mesmo. Eram muitas drogas, um clima de tensão constante. O Sócrates tentou derrubar a ditadura do país com o futebol. Ninguém queria falar sobre as drogas. E mostrou que o Brasil tem essa coisa meio bipolar, como o futebol bonito do Sócrates e a podridão da Gaviões. Na Sérvia tem a Estrela Vermelha, que faz o que quer, na Suécia também temos torcedores que marcam encontro, bêbados. É como se eles usassem o futebol para descontar as frustrações das vidas pessoais deles.
Fonte: UOL

