Imagine sem a Copa.

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Jamais vi um argentino vestindo uma camisa de outra seleção. Eles transferem para a seleção portenha, de forma irrestrita e aguerrida, a paixão que têm pelos seus clubes. Mesmo com o distanciamento de seus craques, tão exportados quanto os nossos, dedicam às cores nacionais a admiração cívica que recebe os vice-campeões com festa e orgulho. Levam para as ruas e protestos a mesma garra apresentada em campo, o mesmo brio e a mesma disposição em defesa de seus conceitos. Invadiram as capitais brasileiras com sua prepotência e seus cânticos depreciativos ao Brasil e ao Pelé. São preconceituosos, racistas e xenófobos. E nós, não somos?

Enquanto isso conheço quem ignorou a Copa ou pelo menos se mostrou insensível ao clima de festa, à indiscutível qualidade técnica superior, à proximidade com outras culturas, à presença de craques internacionais. Não me refiro a xiitas, a ignorantes ou a imbecis. E não foi apenas uma retaliação aos descalabros nos gastos e à corrupção disseminada nos governos federal, estadual e municipal. Essa posição denotou uma fidelidade ao Manto Sagrado, desconsiderando qualquer tentativa de desviar o foco da paixão por outra manifestação futebolística. E agora, sem a Copa, o que eles farão? Desistirão do futebol?

Já há algum tempo os resultados das tímidas decisões da diretoria pulverizavam os sonhos pela mudança após um longo período de intervalo para o evento maior do futebol. O despreparo e a inexperiência dos dirigentes do clube nessa matéria, dos que dão a cara e dos que se escondem, desintegra a mais insensata e otimista esperança dos apaixonados e abnegados pela causa rubro-negra. Ontem, os crédulos da Imensa Nação levaram um choque de realidade. O fundo do poço não era a zona de rebaixamento nem a penúltima colocação. À noite passada, dormimos na lanterna do campeonato e vimos com uma probabilidade razoável, só para ser otimista, a queda para segunda divisão.

Enquanto isso, as reações da direção são as mesmas, inócuas e improcedentes. Declarações vazias e pelegas de gente a serviço da direção nas redes sociais, outros fazendo claque, batendo palma para macaco dançar e a vaca indo para o brejo de sino e tudo. Ao som da sineta mergulhando e sem qualquer indício de sustentação, o presidente afirma que não seremos rebaixados. Ele ainda aparece para falar com tanto fundamento quanto os jogadores apresentam em campo, ou seja, nenhum. Os outros próceres dessa administração desastrosa nem se dignam a falar, se protegendo num escudo de covardia, permanecendo distantes como o superexecutivo responsável pela imagem do Flamengo cuidada pelo Podolski ou como o pedante que se afastou recentemente e permanece influenciando nas decisões.

É deles a responsabilidade de contratar mal, gastar mal o parco dinheiro do clube, MAIS do que em gestões anteriores. Sim, MAIS, porque os acordos de rescisão foram feitos por eles. Por exemplo, a dispensa desastrada do Renato Abreu e o dispêndio com o Ibson em outro lugar e com o Elano para não jogar aqui. Em resumo, a Imensa Nação avalizou a queda para a segunda divisão em troca de se pagar a dívida? Nem só a Nação, os votantes também não. Concordamos com o saneamento, não aceitamos o rebaixamento. Aliás, repudiamos essa hipótese e vamos cobrar isso com veemência. Disputamos trinta pontos e ganhamos sete. Restam cinquenta e seis pontos a disputar, dos quais necessitamos de quarenta. O desafio é sair de um aproveitamento de 23% para um de 71%. É difícil, sem dúvida, porém TEMOS QUE COMEÇAR!

IMENSA NAÇÃO RUBRO-NEGRA, precisamos agir se não quisermos testemunhar a inédita e maior vergonha de nossa história, o descenso em 2014. Por uma trágica coincidência, ela ocorreria junto com os famigerados 1 x 7 Alemanha, aquela que vestiu uma réplica do Manto Sagrado. A miopia, a teimosia, a arrogância, a prepotência dessa gente encastelada na direção do clube é um sapo que não temos que engolir. Mesmo que ele esteja sendo cozido no fogo brando da panela de pressão de suas teorias cartesianas e desapaixonadas. Aos poucos a fervura vai matá-los e em dezembro eles serão jogados fora, tudo bem. Mas, será tarde demais para nós. Não podemos esperar por essa morte anunciada e prevista. Se eles não reagem e se aquietam na água quente, vamos aumentar o fogo e a pressão. Vamos fingir que somos argentinos? Vamos fingir que essa panela de pressão é a Bombonera? Vamos lembrar de nossas tradições? Vamos honrar o Manto Sagrado?

QUEREMOS MUDANÇA IMEDIATA DE RUMO!

NÃO ADMITIMOS A SEGUNDA DIVISÃO!

NÃO CONCORDAMOS EM TROCAR O SANEAMENTO POR ELA SOB HIPÓTESE ALGUMA!

Por Alexandre Fernandes

@alexandrecpf


Fonte: Magia Rubro-Negra

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