O Flamengo voltou à lanterna do Brasileiro, mas a diretoria ainda vê uma luz no fim do túnel, desde que não precise abrir o cofre para iluminar o caminho da permanência na Série A. Mesmo que o time siga na zona de rebaixamento, e corra o risco de cair pela primeira vez, o presidente Eduardo Bandeira de Mello não pretende revogar a sua política de austeridade para contratar reforços.
— É claro que gostaríamos de ter um time melhor, mas a situação nos impõe esta medida de austeridade. E não vamos nos afastar dela, não vamos gastar. Estamos pagando o preço de anos e anos de irresponsabilidade financeira no Flamengo — disse Bandeira.
Sufocado pelo peso dos dezenove times à frente do Flamengo na tabela, e pelos anos de dívidas acumuladas, o presidente manteve o discurso de aperto nas finanças um dia após a derrota para o modesto Chapecoense. Sua última cartada foi a contratação de Vanderlei Luxemburgo para o lugar de Ney Franco. Mas nada mudou dentro das quatro linhas. Após o respiro contra o Botafogo, a equipe voltou a ser asfixiada pelas conhecidas deficiências em campo e fora dele. O Flamengo não vence fora de casa há dez jogos, retrospecto preocupante para um time que luta para não cair.
— Eu tenho certeza que o time não será rebaixado. Temos confiança que vamos reverter esta situação, mas é óbvio que seria até brincadeira imaginar que esta situação financeira não limita o desempenho do time — explicou o presidente rubro negro.
Clube “empurrou com a barriga”
Para mudar a rotina de derrotas fora de casa, e a situação de um modo geral, Bandeira confia em Vanderlei, e espera ficar com o treinador até o fim de 2015. Mas se o técnico pedir reforços, a resposta poderá ser a seguinte:
— Podemos trazer alguém, ainda, mas só se tivermos o recurso de uma empresa ou de um grupo de investidores. O que não podemos, nem iremos fazer, é cometer uma irresponsabilidade de investimento.
Ao longo dos anos, dívidas que o Flamengo não conseguiu pagar foram deixadas para o período seguinte. A tática de de “empurrar com a barriga” engordou a dívida geral, que é de R$ 750 milhões. De 2008 em diante, a “sobra” foi crescente e aumentou a cada temporada: R$ 21 milhões (2008), R$ 43 milhões (2009), R$ 55 milhões (2010), R$ 79 milhões (2011) e R$ 182 milhões (2012).
Uma auditoria realizada nas contas do clube verificou que há falta de documentos relativos aos períodos de 1990 a 2011, que comprovariam dívidas diversas, como as trabalhistas, de empréstimos e demais passivos.
— Pareceres não eram confiáveis, balanços foram aprovados com ressalvas, são instrumentos de ficção. A dívida pode ser maior — disse Bandeira.
Fonte: O Globo

