Na semana em que clubes do Rio voltam mandar seus jogos no Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha), o Blog Teoria dos Jogos apresenta um compilado de números, contingentes e cifras deste surpreendente estádio, antigo expoente da expressão “elefante branco”. Em pouco tempo, a arena vem provando que o entorno barrento talvez seja um de seus piores predicados.
Até ontem foram 36 jogos válidos por diversas competições: Campeonato Candango, Copa Verde, Brasileirão Série A, Copa do Brasil, Torneio Internacional Feminino, Copa das Confederações e Copa do Mundo, além de um amistoso da Seleção. Amanhã será a vez receber uma partida válida pela Série B, pois Vila Nova/GO e Vasco se enfrentarão. Flamengo (9 vezes), Seleção Brasileira masculina e feminina (8 vezes) e o time do Brasília (5) foram os que mais se apresentaram no estádio.
O Mané verificou menos de 10 mil torcedores em suas arquibancadas apenas em ocasiões de futebol feminino. Já competições FIFA (Confederações e Mundial) não tem por hábito divulgarem a renda das partidas. Por isto, optamos por elaborar o apanhado de renda e público somente considerando partidas interclubes. O resultado foi o seguinte:
No ano passado, após dez jogos do Brasileirão e um do campeonato candango, o Mané Garrincha recebeu 35.521 torcedores em média, que geraram renda de R$ 2,3 milhões por jogo. O público total foi de 390.727 e a renda, estratosféricos R$ 25,6 milhões. Em 2013, cobrou-se em média R$ 65,74 por assento.
Em 2014 a coisa muda de figura: enquanto o público médio se mantém alto (embora ligeiramente inferior), a renda minguou. Situação que, curiosamente, passa longe de ser uma má notícia. Vejamos:
Por enquanto, oito partidas com público médio de 31.635. Embora abaixo do ano passado, a manutenção acima dos 30 mil mesmo com a perda do quê de novidade configura um mérito. Já a renda estacionou em R$ 699 mil por jogo – R$ 5,1 milhões ao todo. O que se dá justamente porque o estádio diversificou seu uso, aumentando a quantidade de partidas dos times locais. Equipes como Brasília, Brasiliense ou Luziânia (de Goiás), por não terem apelo de público, cobram em média R$ 4,5 pelos ingressos. A resposta seria fabulosa (com o Brasília apresentando média superior à do Flamengo) não fosse um porém: ainda que o comparecimento seja ótimo, nem sempre correspondeu ao verificado nos borderôs, com ingressos doados e não efetivamente utilizados.
De qualquer maneira, o aumento de públicos e partidas locais vem fazendo com que o Estádio Nacional de Brasília cumpra sua função social, ajudando a desenvolver o futebol do Distrito Federal e proporcionando opções de lazer.
Mas o que faz do estádio um “elefante dourado” – segundo definição do presidente da CBF, José Maria Marin – é sua capacidade de gerar renda, um campo para tubarões. Todos se lembram da maior renda proporcionada pelo Estádio Nacional de Brasília – R$ 6.948.710,00 durante Santos 0 x 0 Flamengo da reinauguração. O montante, à época, configurou recorde de bilheteria, cumprindo outro papel importante: o de apontar o novo padrão de receitas a ser atingido pelo futebol brasileiro das novas arenas. Hoje, apenas 15 meses depois, aquela bilheteria caiu para quinto posto na ranking das maiores.
Um olhar atento aponta o Flamengo como o clube com maior capacidade de capitalização em Brasília. Sua média no estádio (38 mil) é menos importante do que os ápices (acima de 60 mil) dos quais sua torcida se mostrou capaz: A média do Vasco se enviesa por só ter disputado clássicos (dois contra o Fla e um diante do Corinthians). A partida de amanhã – primeira contra clube de menor expressão – dirá muito sobre o potencial vascaíno na capital federal. É possível que o ápice vascaíno se encontre na faixa dos 50 mil torcedores.
Em linhas gerais, apenas o Flamengo teria potencial de geração de renda frequente no Mané Garrincha – mas com a devida parcimônia, evitando a queda verificada em 2013. Um segundo pelotão – capitaneado por Vasco, Botafogo, Corinthians, São Paulo, Fluminense e Palmeiras – apresentariam excelente potencial de renda semi-esporádica. Cruzeiro, Atlético-MG, Santos, Grêmio e Internacional surgem como equipes com potencial de renda esporádica. A lista acima, corroborada pelos números, segue a ordem de grandeza das torcidas no Distrito Federal, conforme mapeamento do Codeplan/DF.
Fonte: Teoria dos Jogos


