A Copa Intercontinental é considerada pela Fiba como o Mundial de Clubes do basquete. Mesmo sem contar com os astros da NBA, a competição, que coloca frente a frente o Flamengo, campeão da Liga das Américas e o Maccabi Tel Aviv, campeão da Euroleague, é levada a sério por todos na modalidade. Na decisão, o rubro-negro, que vem fazendo história no basquete brasileiro terá pela frente um gigante cheio de curiosidades.
O Maccabi Tel Aviv é o maior clube de Israel. No basquete, a equipe é conhecida por suas glórias, tradição e grandes estrelas. Já campeã da Copa Intercontinental, em 1980, a equipe chega credenciada por seis títulos europeus, seis tríplices coroas (campeão da Copa, do Campeonato e do Europeu), 51 campeonatos israelenses e 41 Copas de Israel.
Após desbancar na final da última Euroleague ninguém menos que o gigante Real Madrid, maior campeão europeu também das quadras, com oito títulos, o Maccabi sofreu como seu povo. Comentários anti-semitas foram disparados contra elenco, equipe e diretoria e disseminados nas redes sociais. No Twitter e no Facebook, 17500 usuários compartilharam ofensas aos israelenses.
A equipe possui em seu elenco oito americanos, mas três deles possuem cidadania israelense: o pivô Alex Tyus, o ala-pivô Jake Cohen e o armador Sylven Landesberg. Tyus se converteu ao judaísmo na faculdade, após conhecer a religião pelo seu companheiro de quarto. Cohen, filho de família judaica, sempre seguiu os preceitos da religião.
Americano se converte ao judaísmo e serve o exército
Já Landesberg, filho de pai judeu, conseguiu sua cidadania após se formar na Universidade da Virgínia e ir jogar em Israel. Segundo as leis judaicas são considerados judeus apenas os filhos de ventre judaico, ou seja, filhos de mães judias. Isso não impede, entretanto, que um não-judeu se torne judeu: seguindo os preceitos do Halachá, conjunto de leis judaicas, todos podem se converter.
O caso do armador é ainda mais curioso: após quatro anos consecutivos jogando em Israel, ele acabou ganhando a cidadania do país. E isso implica também em ter que fazer parte do exército. Em Israel, o serviço militar é obrigatório tanto para rapazes como para moças. Landesberg, então, serviu ao exército, virou soldado e hoje é instrutor de treinamento físico em uma base militar.
Ex-companheiro de Varejão vira ídolo
Após não ser draftado em 2009 e atuar nas ligas de verão da NBA pelo Orlando Magic e Detroit Pistons, o armador Jeremy Pargo trocou os Estados Unidos por Israel.
Ainda que o conflito bélico interminável no país seguisse pulsando, não foi como membro do exército que Pargo desembarcou por lá. Em seu primeiro ano como profissional, o jogador atlético e “elétrico” virou febre por suas enterradas e jogadas plásticas.
Em 2010, Jeremy Pargo trocou o Hapoel Gilboa Galil Elyon pelo Maccabi Tel Aviv. Ele tinha a responsabilidade de substituir o ídolo Mikhail Torrance, querido pela torcida e que estava com problemas no coração. E logo que chegou, o jogador conquistou a torcida: emergiu como um dos grandes jogadores da equipe no vice-campeonato europeu do ano.
Após isso, Pargo voltou ao seu país natal. Atuou pelo Cleveland Cavaliers, onde foi companheiro do brasileiro Anderson Varejão. A experiência no basquete americano não durou muito. Após rodar por Memphis Grizzlies, Philadeplhia 76ers e pelo próprio Cavs, Pargo voltou para a Europa.
Já ídolo, Jeremy chega com status de grande reforço da equipe para a temporada. É dele que podem sair as principais jogadas do time europeu. O jogador é considerado um “problema” para o Flamengo e um dos principais embates da Copa Intercontinental, contra o argentino Laprovittola.
Flamengo e Maccabi Tel Aviv vão decidir o título mundial de 2014 em dois jogos na Arena da Barra, no Rio. O primeiro duelo acontece nesta sexta, às 21h30, e o segundo e decidido jogo será realizado no domingo, às 12h. Se cada equipe vencer uma partida, o campeão será definido pelo saldo de pontos.
Fonte: ESON

