Antes de começar, aviso que esta postagem não tem o intuito de menosprezar ou diminuir a gloriosa história do Vasco da Gama, clube que respeito e admiro, um dos maiores do Brasil e do mundo. O único objetivo desta (e de outras que virão, sobre outros clubes) é mostrar atitudes incorretas tomadas por dirigentes do clube ao longo da história, como um alerta para que nunca mais se repitam. Sintam-se livres para utilizar o espaço dos comentários para fazer as suas considerações.
Dossiê Bacalhau – As falcatruas do Vice da Gama.
1923 – Luta pela inclusão? Ou vantagem desleal?
A versão que costumamos ouvir da história do primeiro título do Vasco é muito romantizada. Logo em seu ano de estreia no Campeonato Carioca, o clube levantou a taça de maneira espetacular, com um timaço avassalador. O domínio vascaíno foi tamanho que gerou suspeitas, de que o Vasco não estaria jogando de acordo com as regras. E não estava mesmo. Empresários portugueses pagavam os jogadores para que eles se dedicassem exclusivamente ao futebol – o que era proibido pelo regulamento da Liga. Como o futebol ainda vivia a fase do amadorismo por aqui, todos os jogadores eram obrigados a possuir uma profissão além do futebol. Os vascaínos podiam se preparar melhor e tinham, portanto, uma enorme vantagem competitiva em relação aos atletas dos outros clubes. Por isso, e por não querer se adequar às regras, o Vasco foi expulso da Liga, e não pôde defender seu título em 1924. A luta pela inclusão dos negros e dos pobres foi muito bonita, mas é utilizada para esconder o fato de que o Vasco não jogou de acordo com as regras estabelecidas na época.
1971 – A primeira maracutaia do Campeonato Brasileiro
No Campeonato Brasileiro de 1971, os dirigentes do nosso futebol deram uma enorme demonstração de criatividade: o regulamento previa que a classificação se daria não só pelos resultados de campo, mas também pelas rendas dos jogos (!!!). No intuito de obter a classificação pelo inovador critério, a direção do Vasco resolveu inflar a renda de um de seus jogos: comprou todos os 115.193 ingressos da partida contra o Palmeiras no Maracanã. O público presente, de cerca de 30.000 pessoas, demonstrava inequivocamente a fraude vascaína. A CBD se viu então obrigada a modificar o regulamento do Campeonato, acrescentando um segundo turno e eliminando o critério da renda. Eis a primeira “virada de mesa” do Campeonato Brasileiro.
1974 – O Cruzeiro teve a melhor campanha, mas…
No quadrangular final do Campeonato Brasileiro de 1974, Cruzeiro e Vasco terminaram empatados, e assim teriam que jogar uma partida extra para definir o grande campeão. Como a campanha geral do Cruzeiro era melhor (38 pontos contra 34), o jogo deveria ser disputado no Mineirão, em Belo Horizonte. No entanto, o Vasco conseguiu convencer a CBD a levar a partida para o Maracanã, alegando falta de segurança no outro estádio. O Bacalhau venceu por 2 a 1, e conquistou assim seu primeiro Campeonato Brasileiro. O Cruzeiro teve que esperar longos 29 anos para soltar o grito de campeão.
1981 – Suspensos? Nem tanto…
O lateral João Luís e o meia Marquinho estavam suspensos para o segundo jogo da decisão do Campeonato Carioca de 1981, contra o Flamengo. Entretanto, Eurico Miranda conseguiu na Justiça uma liminar para escalar os dois atletas. O Vasco venceria a partida por 1 a 0, forçando a realização de uma terceira partida (que acabaria vencida pelo Flamengo).
1984 – Entrando pela janela no Campeonato Brasileiro
As vagas para o Campeonato Brasileiro de 1984 foram definidas pelo desempenho dos clubes nos seus respectivos Campeonatos Estaduais do ano anterior. O Vasco, sétimo colocado no Rio de Janeiro em 1983, não conseguira obter sua vaga. Pressionada, a CBF resolveu colocar o Bacalhau no Campeonato, por convite (outro beneficiado foi o Grêmio). O Juventus de São Paulo, campeão da Segundona em 1983, acabou alijado do Campeonato. De qualquer forma, é bom que se diga que o “penetra” Vasco fez jus ao convite de última hora: chegou à grande final da competição, que perdeu para o Fluminense. Com o vice-campeonato, o Vasco conseguiu a vaga na Copa Libertadores do ano seguinte.
1986 – Classificação e fuga do rebaixamento no tapetão
O confuso regulamento do Campeonato Brasileiro de 1986 previa que 32 clubes se classificariam à segunda fase. E mais: os clubes eliminados na primeira fase estariam rebaixados para a Segunda Divisão. Terminada a primeira fase, o Vasco estava eliminado e, portanto, rebaixado. Entretanto, o clube sentiu-se prejudicado por uma decisão do STJD, que dera uma vitória ao Joinville contra o Sergipe, por caso comprovado de doping. Assim, a direção vascaína resolveu entrar com uma ação na Justiça Comum, na tentativa de anular a decisão do STJD. Para evitar a paralisação do Campeonato, a CBF resolveu classificar os dois clubes. A bagunça dessa temporada foi tamanha que causou a completa reformulação do Campeonato no ano seguinte.
1990 – O jogo anulado na Copa Libertadores
Após ter sido eliminado da Copa Libertadores de 1990, pelo Atlético Nacional de Medellín, o Vasco conseguiu a anulação da partida disputada na Colômbia, devido a ameaças telefônicas recebidas pelo árbitro uruguaio Juan Daniel Cardellino nas 24 horas que antecederam a partida. O jogo foi repetido duas semanas depois, em Santiago do Chile. Não adiantou nada: o Atlético Nacional derrotou novamente o Vasco, e avançou às semifinais.
1992 – Clássicos sempre em São Januário
Com o Maracanã em obras, os clássicos do Campeonato Carioca teriam que acontecer em outros estádios. A direção do Vasco mostrou toda a sua força nos bastidores: todos os clássicos envolvendo o cruzmaltino foram disputados em São Januário. O Vasco acabou conquistando o título.
1997 – O craque expulso joga a grande final
Edmundo, grande nome do Vasco naquele Campeonato Brasileiro, recebeu o terceiro cartão amarelo no primeiro jogo da final contra o Palmeiras, e assim estava suspenso da partida de volta. Orientado pelo banco de reservas, nos minutos derradeiros o craque ofendeu o árbitro, para ser expulso de propósito. Durante a semana, o Vasco conseguiu o “efeito suspensivo” para escalar Edmundo na grande final, contrariando as “Regras do Jogo” da FIFA, que determinam a suspensão automática de atletas expulsos. O Vasco conquistou o título.
1998 – O campeonato dos W.O.’s
Em 1998, o Vasco venceu o Carioca que ficou conhecido como “o campeonato dos W.O.’s”. A Federação, comandada por “Caixa d’Água”, notório amigo de Eurico Miranda, adiava jogos do Vasco a todo momento, alegando que o time disputava competições demais. Os três rivais do Vasco então uniram-se e decidiram não jogar mais partidas que tivessem sido adiadas. No dia 10 de maio, o Botafogo não compareceu ao Maracanã para enfrentar o Vasco, que venceu por W.O.. No dia 13 de maio, nem Flamengo nem Fluminense compareceram a Moça Bonita: W.O. duplo. No dia 14 de maio, o Vasco venceu o Bangu em Moça Bonita, com um gol nos acréscimos do segundo tempo, já sem a mínima condição de iluminação (o árbitro já havia paralisado a partida, tendo sido convencido por Eurico a continuá-la). Com o resultado, o Vasco conquistou o título. No dia 17 de maio, o Flamengo não compareceu ao Maracanã para enfrentar o Vasco, no jogo que seria o da entrega de faixas. Nada como mais um W.O. para encerrar aquele campeonato com chave de ouro…
1999 – O jogo interrompido
Em São Januário, o Vasco empatava com o Paraná pelo Campeonato Brasileiro. Após o árbitro Paulo César Oliveira expulsar três jogadores do Vasco (Mauro Galvão, Alex Oliveira e Juninho Pernambucano), o dirigente Eurico Miranda invadiu o gramado, e advertiu o sujeito: “Assim, eu não tenho como conter estas pessoas revoltadas com a sua atuação. Vai ser difícil garantir a sua integridade depois dessa. Você me expulsou três jogadores”. A atitude de Eurico inflamou a arquibancada, e a partida acabou interrompida por falta de segurança. No tribunal, o placar de 1 a 1 foi mantido.
2000 – A decisão inacabada
A confusa Copa João Havelange tinha Vasco e São Caetano na grande final. O primeiro jogo foi disputado no Parque Antártica, em São Paulo, tendo o São Caetano desistido de atuar em seu campo, para dar maior segurança aos torcedores. Na segunda partida da final, a direção vascaína preferiu jogar em São Januário, a despeito da maior segurança que o Maracanã ofereceria. A superlotação no Estádio do Vasco era clara e evidente, e acabou causando uma tragédia com 168 feridos. O jogo foi interrompido, mas o dirigente Eurico Miranda fez de tudo para reiniciar a partida, até que uma ordem do governador suspendeu definitivamente o jogo. Três semanas depois, já em janeiro de 2001, a final foi disputada novamente, desta vez no Maracanã. Os minutos jogados em São Januário foram anulados, e o vascaíno Romário, que já havia sido substituído, pôde participar. O Vasco venceu por 3 a 1 e sagrou-se campeão brasileiro pela quarta vez em sua história.
Autor desconhecido.
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