Capitão do Flamengo, Leo Moura alcança no próximo sábado (4) uma marca histórica com a camisa rubro-negra. O lateral direito completa 500 jogos pelo clube da Gávea na partida contra o Santos, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro.
O número expressivo o coloca na 9ª posição entre os atletas que mais defenderam o Rubro-negro. Multicampeão pelo Flamengo, o camisa 2 deixou de ser um cigano da bola desde 2005 e nem sequer pensa em parar. Em entrevista ao UOL Esporte, Leo Moura falou sobre a emoção da marca e relembrou momentos importantes da trajetória no clube mais popular do país.
Leia a entrevista na íntegra:
UOL Esporte: É raridade no futebol o jogador permanecer por tanto tempo em um clube. Você está há quase dez anos no Flamengo e completa a marca de 500 jogos. Qual o peso dessa conquista?
Leo Moura: Jamais imaginei que seria ídolo no Flamengo. Esperava apenas ser campeão. Acho que é motivo de muito orgulho. Não é fácil jogar tanto tempo aqui. Estou em um clube de muita pressão e nem todo mundo consegue se criar na Gávea. Somos cobrados 24 horas por dia. Estou bastante emocionado com essa marca rara para um jogador de linha. Espero que tudo possa dar certo no sábado e a comemoração seja especial.
UOL Esporte: Você será o nono jogador que mais vestiu a camisa do Flamengo assim que pisar no gramado do Maracanã – Jadir tem 499 jogos. Qual a sensação de estar no top 10 do clube e dificilmente deixá-lo, por conta da falta de identificação que existe no futebol atualmente?
Leo Moura: Não tenho palavras para descrever. É sensacional. Sei que hoje é difícil o jogador ficar por muitos anos no clube. Sou flamenguista e optei por isso. Tive oportunidade de sair, mas sempre quis ficar. O Flamengo me deu tudo.
UOL Esporte: O amadurecimento como homem e atleta também aconteceu na Gávea?
Leo Moura: Sem dúvida. Amadureci muito no Flamengo. Minhas filhas nasceram aqui (Maria Eduarda e Isabella). Me casei (Camila, a esposa) e também encontrei um caminho de religião. Cheguei com 25 anos e construí o que sou hoje dentro do clube. Por isso, posso dizer que passei por tudo na Gávea.
UOL Esporte: O tudo envolve até a suspeita de um câncer em 2010…
Leo Moura: Achei que poderia sair do Flamengo na época. Fiz os exames e descobri o tumor. Se o clube não fizesse o acompanhamento, poderia até ter ficado cego. Foi um momento de sofrimento, tive medo de parar de jogar, mas graças a Deus tudo deu certo e outros anos já se passaram no mesmo clube.
UOL Esporte: A torcida do Flamengo enxerga o seu capitão como um multicampeão. Você conquistou Campeonato Brasileiro, duas Copas do Brasil, Cariocas… Qual foi o título mais marcante?
Leo Moura: Foi a Copa do Brasil de 2006. Foi o meu primeiro pelo Flamengo. É impossível esquecer. Estava no clube havia um ano e me firmei de vez depois de levantarmos aquela taça.
UOL Esporte: As taças da Libertadores e do Mundial sempre foram um sonho para você. Ainda dá tempo de conquistá-las?
Leo Moura: Amo jogar futebol. Buscar títulos pelo Flamengo me motiva e quero dar o melhor sempre. A minha história aqui ainda não acabou. Faltam esses dois capítulos e não desisti de escrevê-los.
UOL Esporte: Isso quer dizer que nem sequer pensa em aposentadoria? Já negocia a renovação de contrato com o Flamengo?
Leo Moura: Quero ficar mais tempo no Flamengo. Não vou parar de jogar agora e ainda me vejo com todas as condições de ajudar. A prioridade sempre será do Flamengo para renovar o contrato e quero encerrar a carreira aqui. Vamos conversar sobre isso assim que a temporada terminar. Não me vejo vestindo outra camisa. Hoje, consegui ser reconhecido como o Leo Moura do Flamengo.
UOL Esporte: Foram inúmeros momentos de alegria. Mas qual o episódio mais triste que enfrentou com a camisa rubro-negra?
Leo Moura: Não existe meio termo no Flamengo. Ganhei, mas sofri com as coisas negativas também. A principal delas foi a eliminação para o América-MEX na Libertadores de 2008 (derrota por 3 a 0 no Maracanã). Marcou demais dentro e fora de campo. Foi o que mais feriu e não dá para esquecer. Tenho a certeza de que seríamos campeões se passássemos daquele jogo. Foi mais uma prova de que o futebol se resolve em campo.
UOL Esporte: Você passou por dez clubes antes de chegar ao Flamengo e foi chamado muitas vezes de cigano da bola. O que espera levar da carreira depois de tanta identificação com torcida e instituição?
Leo Moura: Ser ídolo é a marca mais positiva. Não tem preço. Tenho uma carreira sem mancha e sendo titular do Flamengo. Tenho a certeza de que fiz muito pelo clube e por amor. Nunca esqueci a minha paixão de moleque pelo Flamengo… Entrei com o Zico no Maracanã, fui mascote… É emocionante demais. Demorei, mas me encontrei na carreira e pude construir uma história muito maior do que imaginei no Flamengo. Isso que vou guardar para o resto da vida.
Fonte: UOL



























