O Flamengo veio a Natal, derrotou o América por 1 a 0 e agora está a apenas um empate de assegurar vaga na fase semifinal da Copa do Brasil. O Rubro-Negro gostou tanto da capital potiguar – onde não atuava desde 2007 – que ficou por aqui durante quatro dias, entre segunda e quinta-feira passada. Sol, mar e o incomparável calor da torcida norte-rio-grandense foram os principais elementos dessa temporada na nossa terra.
Agora, o objetivo dos flamenguistas é voltar maior frequência ao Rio Grande do Norte e mandar algumas partidas na Arena das Dunas, palco do jogo da última quarta-feira. Pelo menos foi isso que o presidente Eduardo Bandeira de Mello declarou em entrevista exclusiva a este NOVO JORNAL.
A reportagem esteve no hotel onde a equipe ficou concentrada na Via Costeira, horas antes do confronto decisivo pelo torneio nacional, e conversou com o homem que detém as rédeas do time de maior torcida do país.Bandeira de Mello não se furtou a emitir opinião sobre assunto algum. De Bom Senso Futebol Clube ao veto da FIFA à participação de investidores na negociação de atletas. Mas começou pela calorosa acolhida do povo potiguar ao Flamengo.
“Isso não é novidade para a gente. De Norte a Sul do Brasil, onde quer que o Mengão jogue, é sempre uma grande festa. Para se ter uma ideia, só não somos a maior torcida em três dos 27 estados da federação: São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Em todos os outros nós somos maioria. Até mesmo aqui do lado, em Pernambuco, onde Sport, Náutico e Santa Cruz estão enraizados na cultura local e muita gente pensa que as pessoas rejeitam aquilo que vem de fora. Isso não é verdade”, comentou.
A afirmativa é facilmente comprovada quando se vê, por exemplo, o saguão do Aeroporto Internacional Aluízio Alves lotado de fanáticos cantando a plenos pulmões durante o desembarque da delegação, como aconteceu na última segunda-feira. Ou ainda na própria Arena das Dunas, onde a carga de ingressos destinada aos flamenguistas não passou de 3 mil entradas, mas o número total de rubro-negros ficou em torno de 10 mil pessoas – segundo a Polícia Militar.
Como, então, explorar esse vasto mercado que existe fora do Rio de Janeiro e gerar receita e lucro fidelizando por parte desses adeptos? Por que um clube com cerca de 42 milhões de fãs (aproximadamente 20% da população brasileira) não é o que mais tem sócio-torcedores no país?
“Nosso programa de sócios é muito novo, começou apenas no ano passado. Também não temos um estádio próprio, e isso dificulta as ações junto à torcida. Apesar de tudo isso, só estamos atrás de Internacional e Grêmio em quantidade de associados. Nossa equipe de marketing tem trabalhado bastante para viabilizar parcerias que ofereçam vantagens aos sócios, e isso tem dado resultado. Estou muito otimista”, relatou.
Uma das formas encontradas para interiorizar a equipe e aproximá-la dos torcedores que moram longe do estado fluminense é levar parte dos jogos para as novas arenas brasileiras, reformadas ou especialmente erguidas para o Mundial deste ano. A fórmula tem representado sucesso em praças como o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, e as arenas da Amazônia, em Manaus, e Pantanal, em Cuiabá.
Natal também pode se tornar um dos destinos em breve. De acordo com Eduardo Bandeira de Mello, Flamengo e Arena das Dunas já tiveram alguns contatos anteriormente, mas nada ficou acertado. Entretanto, o clube tem sim a intenção de atuar como mandante por aqui.
“Nem sempre é possível vir ao Nordeste, e isso se deve a inúmeros fatores. Como, por exemplo, o fato de o Flamengo disputar uma divisão diferente de ABC e América no Campeonato Brasileiro”, avalia.
“Mas agora a cidade possui um aparelho de primeiríssimo mundo (Arena das Dunas). E isso, por si só, já é um atrativo e tanto. Sem falar nas belezas de Natal e do clima agradável que faz aqui. É impossível não gostar. Eu mesmo já vim várias vezes, a trabalho, e adoro. Vamos retomar as conversas com a administração do estádio e tentar um acordo o quanto antes. Seria ótimo jogarmos novamente com o apoio dos potiguares”, acrescentou.
Fonte: Novo Jornal

